sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

CONSTATAÇÃO



CONSTATAÇÃO

Os mortos estão mortos
e os vivos estão para morrer

A vida corre pelos corredores
e todos vãos abertos estão
para a veia e a cova
somos tudo nada
somos nada tudo
em vão
sim e não
absolutamente
grão
fome e pão
somos não
Infinitamente
chão

Hideraldo Montenegro


HUMANO CANTO
http://www.artexpressaeditora.com.br/produtos.asp?produto=111

CONSUMADO



CONSUMADO

Não importa mais
estas veias, este sangue
esta teia, este mangue

Não importa mais
este dinheiro, este whisk,
este isqueiro, este trejeito

Não importa mais
Este nome, esta data
Esta farsa, esta falta

Não importa mais
estes olhos, esta pele
esta língua, este tinteiro

Não importa mais
porque todos os sentidos
agora são iguais

Hideraldo Montenegro


HUMANO CANTO
http://www.artexpressaeditora.com.br/produtos.asp?produto=111

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

ÓRGIA FÚNEBRE




ORGIA FÚNEBRE

Comam-me todos os vermes
Façam a festa, se fartem
neste bacanal humano
que ofereço
Involuntariamente

Para mim,
pouco importa
os risos e os choros

-no fim
tudo é gozo
de alguém

Hideraldo Montenegro


HUMANO CANTO
http://www.artexpressaeditora.com.br/produtos.asp?produto=111

O FIM DE UM MUNDO. A FALÊNCIA DO CAPITALISMO?

Encaminhado por
Nair Lúcia de Britto

 

NAPOLEONI, Loretta, O Fim de Um Mundo. A Falência do Capitalismo?. Lisboa: ed. Presença, 2010 (ca. 151 pp.e 13 euros)

 

"Injectar dinheiro nos cofres dos bancos como Citigroup, o HBDS e alguns bancos europeus (...) não faz sentido porque a economia irá (...) contrair-se e estes bancos não conseguirão sobreviver  pelo simples facto de que o que os mantinha de pé e os fazia crescer era o jogo financeiro e não a actividade bancária tradicional.

 

É melhor usar este longo período de recessão para reestruturar o sistema financeiro (...)

 

É melhor racionalizar o sector bancário e salvar apenas a parte que serve para manter a economia à tona de água. Passada a tempestade quem é que nos impede de o privatizar? É o que sugerem muitos economistas, entre os quais Krugman, mas a palavra nacionalização ainda parece sinónimo de socialismo.

 

Se os derivados criaram activos tóxicos porque não aboli-los? Porque é que se há-de obrigar o contribuinte a suportar empresas seguradoras que se comportaram como hedge funds, que criaram e venderam credit default swaps, que na verdade fizeram apostas sobre o pano verde sem ter capital para o fazer?

 

O Estado deve abolir estes produtos e retirar destas empresas a parte seguradora deixando falir o resto. Os prejuízos irão atingir quem estava mais exposto ao risco, bancos e financeiros praticantes de jogos de azar (...)

 

Um olhar sobre a AIG  (a mais importante empresa seguradora americana) ilustra bem este conceito: uma boa parte dos 180 mil milhões de dólares recebidos por ela acabou nos bolsos de bancos que detinham credit default swaps que a AIG não podia honrar. Nem a empresa seguradora nem o governo americano quiseram tornar públicos os nomes dos beneficiários, mas Wall Street sabe bem que se trata de ex-bancos de investimento como o Goldman Sachs e o Merryl Lynch.

 

Se a alta finança se divertia com jogos de azar, então que pague as consequências dessa loucura em vez de sugar os dinheiros que são necessários para a retoma económica" (p.143) --
Publicada por Blogger em Kriu a 12/28/2010 05:39:00 PM

 
28 de dezembro 20l0

 

TRINCHEIRA



TRINCHEIRA

Que venham as cegonhas
Que venham os abraços abertos
Que venha o sorriso leve fixo certo
Que venham as mentiras as verdades e as vergonhas
Que venham o vôo e o pouso e os netos
Que venham todos os aeroportos
Que venham e passem todos
que preciso continuar em campo aberto
vivo ou morto

Hideraldo Montenegro


HUMANO CANTO
http://www.artexpressaeditora.com.br/produtos.asp?produto=111

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

DESPEDIDA



DESPEDIDA

Não me esperem para o jantar
Não me esperem nas esquinas
Não sejam bestas em me esperar
Sigam em frente
Escovem os pés penteiem os dentes
Façam a festa
Cantem dancem
e soltem todos os seus fantasmas
de mim
e vela não precisam acender

Digam apenas adeus
e me deixem em paz
que daqui não saio mais

-Afinal, este meu silêncio
não é convincente?


Hideraldo Montenegro


HUMANO CANTO
http://www.artexpressaeditora.com.br/produtos.asp?produto=111

QUANDO JANEIRO CHEGAR


Quando janeiro chegar, com ele virá mais um ano, mais um Carnaval, mais feriados e, ali, logo ali, mais um fim de ano!
É impressionante como o tempo parece passar cada vez mais rápido, num turbilhão, quase sem percebermos: na velocidade do som, que ensurdece, sem se fazer entender; ou da luz, que cega, em vez de iluminar.
E porque isso?
Creio que Caetano sintetizou bem esses novos tempos em uma de suas canções, quando explicou: “É tanta coisa para a gente saber”!
De fato, hoje existe tanta coisa para nos distrair; tanta coisa para ter, parecer ou, simplesmente, aparecer, que a gente perdeu a noção do tempo e, não raro, só o percebemos quando ele já passou.
Aí, quando chega dezembro começamos a fazer planos para o ano seguinte.
Para muitos, esses planos são apenas a repetição dos anteriores, só mudando de versão, tecnologicamente falando. Um novo equipamento que faça muito mais coisas, muito mais rápido e em muito maior quantidade, embora você não use nem 0,5% desse potencial antes de considerá-lo ultrapassado, já de olho na novidade “indispensável”, que você precisa ter para outros verem!
Também pode ser uma viagem exótica, luxuosa, cara e exclusiva, daquelas que você precisa avisar todo mundo que vai fazer e, depois, contar para todo mundo que fez, com todos os detalhes.
Pode ser, ainda, comprar toneladas de roupas de grife, ou jóias, ou sei lá mais o quê, para que os outros vejam ou, quando não for tão evidente, você, mesmo sem perguntarem, diga onde comprou e quanto pagou, ou considere que quem não notou não tem o seu “nível”.
Esse materialismo faz com que a gente se cubra com tantos espelhos, que deixa de notar que todo esse brilho não emana de nós: é apenas reflexo do que nos envolve.
Como a gente seria sem esses adereços: fisicamente nu?
Como a gente seria sem esses penduricalhos: espiritualmente nu?
A mesma música de Caetano, de certa forma, também sugere uma reflexão: “Eu preciso aprender a só ser!”, embora essa frase dê margem a múltiplas interpretações.
Mas aí está uma das coisas mais humanas que existem: interpretar! É quando saímos da regra, que escraviza, para a reflexão, que pode libertar! Uma reflexão que depende de outro tipo de espelho: o interior, que reflete o que somos para nós mesmos; que não precisa convencer ninguém de nada; que não precisa mostrar algo; que não carece de aplausos, nem precisa de público.
Mas interpretar também pode ter outras interpretações, como agir ou tentar ser alguém que não se é, como se isso ajudasse a não perceber o tempo passar, ou distraísse de coisas que não se quer enfrentar.
Nesse sentido, 2011 pode ser apenas mais um ano que mal começa já termina; mais um ano sem sentido, dependendo do sentido que lhe for dado.
Mas, quando janeiro chegar, também poderá ser o primeiro mês de um ano de muita felicidade buscada, merecida e alcançada; de muito amor sincero e, principalmente, em que cada segundo será vivido consciente e apaixonadamente, em plenitude. Tempo em que o espelho da alma talvez nos permita ver além das aparências; refletir, em vez de espelhar; iluminar, em vez de ofuscar.
Assim, que em 2011 a esperança nos dê asas, mas que a ilusão não nos tire da realidade; que não sejamos iludidos e que não enganemos nem aos outros nem, sobretudo, a nós mesmos.
Quem sabe, então, vejamos o tempo passar como uma suave brisa, que nos leve com ele!
Feliz 2011!
Adilson Luiz Gonçalves
Mestre em Educação
Escritor, Engenheiro, Professor Universitário e Compositor

Prêmio Impacta Mais: Tecnologia para regeneração das águas vence como Negócio de Impacto do Ano

  Além do Negócio do Ano, conheça os vencedores das 7 categorias da premiação   Desenvolvida pela Infinito Mare, a Caravela Ecológica, uma t...