quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Blog da Revista Virtual Partes: OS MERCADORES DO TEMPLO
Blog da Revista Virtual Partes: OS MERCADORES DO TEMPLO: "Como Deus, a fé e a crença são usados para ganhar dinheiro. Como a fé é comercializada. Como os “criadores de milagres” vendem a promessa..."
OS MERCADORES DO TEMPLO

Como Deus, a fé e a crença são usados para ganhar dinheiro. Como a fé
é comercializada.
Como os “criadores de milagres” vendem a promessa de uma pseudo-
prosperidade. Como o crente é usado para o enriquecimento dos
vendedores de milagres.
Um livro que revela a verdadeira natureza da crença, da fé e da
espiritualidade.
PARA ADQUIRIR O LIVRO ACESSE:
http://www.agbook.com.br/book/33692--OS_MERCADORES_DO_TEMPLO
NOSSO LAR: O UMBRAL KARDECISTA

NOSSO LAR : O UMBRAL KARDECISTA
Os evangélicos costumam colocar o kardecismo na mesma esfera de
práticas teurgícas como o candoblé e a umbanda. Isto denota uma
profunda ignorância e contribui com o preconceito e a intolerância em
relação a estes. Antes de tudo, nenhuma intolerância pode representar
a vontade divina, seja contra kardecistas, umbandistas e ou seguidores
do candomblé, pois, a intolerância só gera ódio, conflito e desamor e
isto está muito distante de algum princípio divino e humano digno.
Quem conhece a prática beneficente e altruístas dos kardescistas não
pode deixar de se comover. Sem dúvida, um dos maiores humanistas que o
Brasil, por exemplo, conheceu nos últimos tempos fora o grande Chico
Xavier.
Enfim, o kardecismo merece o maior respeito e admiração. Afinal, o
espiritismo kardecista tem contribuído para o refinamento de seus
membros e na disseminação da bondade.
No entanto, em relação a verdadeira busca espiritual o kardecismo está
completamente contaminado de fragrantes e enormes equívocos.
O kardecismo se pretende filosofia, mas filosoficamente apresenta
erros básicos. O kardecismo se pretende ciência, contudo, está
recheado de superstições. Enfim, o kardecismo nem contém filosofia e/
ou ciência.
Ele está baseado em meras crenças e, assim, o kardecismo não passa de
uma religião. O kardecismo não é uma via de conhecimento, mas de
crença, como toda e qualquer religião conhecida.
Num exame simples constatamos os graves equívocos do kardecismo. Na
verdade, na busca mística o kardecismo representa um umbral, um
empecilho que atrapalha a vida de muitos buscadores, já que estes
costumam confundir uma prática com a outra.
Por exemplo, o tempo e o espaço são frutos de nossa consciência
objetiva, ou seja, de nossos cinco sentidos físicos (visão, audição,
tato, paladar e olfato). Evidentemente, a apreensão (ou existência) do
tempo e espaço está condicionada ao mundo físico através destes nossos
sentidos. Há quem afirme que, em virtude disto, vivemos mergulhados
num mundo de ilusões já que nossos sentidos físicos estão limitados a
este mundo material e, portanto, não podem apreender a transcendência
da criação e de planos mais elevados (de consciência).
Lógico, portanto, que ao fazermos a transição, ou seja, ao morrermos,
perdemos os nossos sentidos físicos e, consequentemente, perdemos
qualquer apreensão do tempo e espaço. Assim, evidentemente, nos planos
espirituais não existem tempo e espaço, ou seja, ninguém é velho ou
moço (não tem idade cronológica e biológica). Nos planos espirituais
não há a passagem de tempo (tantos anos, meses, etc). Não existe
consciência objetiva nestes planos e, portanto, não há apreensão de
passagem de tempo. Numa simples(?) meditação já perdemos a noção de
tempo e espaço ao conseguirmos transcender os nossos sentidos físicos,
ou seja, nossa consciência objetiva.
De fato, a maioria dos mortos sequer sabe que esta morta (ou que
existe). Vive num estado de dormência. É por esta razão que
necessitamos encarnar para pudermos despertar a consciência. Ou
melhor, precisamos morrer conscientes. Este estado é chamado de
iluminação. Sedo assim, os falecidos não interferem e não podem
interferir no mundo físico porque boa parte não sabe de sua condição,
segundo, que não podem interferir com a Lei Cármica (de causa e
efeito), mudando completamente a vida de alguém encarnado.
Por que precisamos encarnar? Um castigo? Um castigo cármico, tipo
punição?
Precisamos encarnar porque só através do tempo e do espaço a nossa
consciência se move e, portanto, pode evoluir. Ou seja, não encarnamos
por castigo, mas pelo privilégio de termos a oportunidade de
crescimento. É por esta razão que devemos agradecer diariamente a
oportunidade que o cósmico nos está dando.
Não existem ações nos planos espirituais. A ação só pode ocorrer no
tempo e espaço e como o tempo e o espaço são noções de nossa
consciência objetiva (de nossos sentidos físicos), ela não existe nos
planos espirituais. A ação só existe no mundo material, manifesto.
Qualquer crença contrária é tão-somente uma crença e não passa disto.
Ao morrermos nossa consciência enfrenta seus medos. A este momento
chamamos de umbral. Os nossos medos estão atrelados aos maiores
equívocos. Precisamos vencer nossos medos e o fazemos através do
conhecimento. E, um dos maiores equívocos que nos prendemos são as
superstições. Temos medo de coisas que não existem. Não nos elevamos
simplesmente porque somos prisioneiros destes equívocos. Assim, muitas
vezes não avançamos porque não nos libertamos de nossas crenças.
Precisamos retornar para abrirmos a nossa consciência.
Como afirmou Hermes Trimesgistos: “assim como é em cima, é embaixo.
Assim como é embaixo, é em cima”. Mas, óbvio que ele não estava
afirmando que a vida pós-morte, por exemplo, é igual a vida material.
Esta idéia são fantasias que transferimos ao idealizarmos uma vida
além. Hermes, na verdade, fala em seu axioma das Leis. Assim como
visualizamos em nossa mente, assim será em nosso mundo físico,
manifesto. Os princípios herméticos, um grande guia na jornada
espiritual, através do autoconhecimento, é um dos primeiros livros
conhecidos escrito pelo homem que expõe detalhadamente as Leis pelas
quais o universo se manifesta. Reconhece aí, portanto, uma
inteligência primeira criadora das Leis Universais contrárias ao caos.
Posteriormente, o grande filósofo grego Pitágoras chamará esta
inteligência de Grande Arquiteto do Universo, reconhecendo existir uma
estrutura precisa na criação.
Alguns argumentam, no entanto, que este raciocínio é muito “lógico”,
cartesiano e, portanto, limitado. Mas, não existe nada mais LÓGICO que
Deus e suas Leis.
Para se afirmar que um determinado conhecimento contém ciência, que
seja ciência é necessário que este conhecimento não seja apenas
nomeado de ciência. Tanto física quanto metafisicamente (ou seja,
material ou abstratamente) o universo, tanto físico quanto espiritual,
é regido por uma Lei única: Causa e Efeito.
Um místico, assim que começa sua jornada espiritual, e à medida que
vai aprofundando, começa a conhecer perfeitamente os aspectos
psíquicos e psicológicos do ser humano e sabe que algumas
manifestações psíquicas não fenômenos sobrenaturais e percebe que
tanto o mundo físico quanto o espiritual são regidos por Leis
imutáveis.
O kardecismo ocupa o seu devido lugar enquanto religião e, assim, não
é uma via de conhecimento, mas de crença. Ele, tanto quanto as demais
religiões ocupa uma determinada etapa na evolução humana e,
consequentemente, precisa do maior respeito.
HIDERALDO MONTENEGRO
http://hideraldo-montenegro.blogspot.com/
ANJO-DA-GUARDA

ALMA UNIVERSAL OU ALMA DIVINA – ANJOS-DA-GUARDA
Em algum momento de nossas vidas sentimos uma presença protetora. Às
vezes, nos aparece com uma forte voz interior, outras, como uma grande
intuição nos protegendo do perigo ou nos inspirando na solução de
algum problema.
Em todas as tradições fala-se na alma universal que habita todos os
seres vivos, a alma de Deus, o nosso Mestre-Interior. Ou seja, de fato
só existe uma alma: a alma divina. Em sua descida para a matéria,
encarnando-se, perde a memória. É esta ligação que precisamos resgatar
e aprender a comungar e ouvir. O conhecido “ouvir a voz de nossa
consciência” é ouvir a voz de nossa alma.
Eis o nosso anjo-da-guarda. Contudo muitos ainda acreditam na
existência efetiva de uma entidade ou de um ser celeste chamado de
anjo-da-guarda. Embora, em essência trate-se da mesma coisa, há uma
grande diferença entre a Alma Universal e uma possível entidade
distinta de nós.
A questão que envolve o mito do anjo-da-guarda é naturalmente
simbólica, mas alguns confundiram este simbolismo e o entende como
real. Os anjos representam um grau de nossa consciência. Assim, não
podemos esquecer o que nos diz a Cabala e o que ela nos diz de fato.
As etapas da criação ocupam planos de consciência que são
representados pelas sefirotes.
Quando nos elevamos espiritualmente a nossa consciência atinge também
um grau de pureza.
Os desvios que aparecem no caminho do buscador são vários. Buscamos
anjos, santos, Mestres, um orixá, um salvador, enquanto o nosso Mestre-
Interior nos espera com toda a sua sabedoria e luz.
A Alma Universal (ou Alma do Cósmico) é imaculada, pura e o centro da
unidade universal.
Eis o verdadeiro EU SOU (em Deus), que sempre está nos protegendo,
inspirando e nos auxiliando. Qualquer outro Mestre apenas nos
inspirará para de fato encontrarmos o nosso verdadeiro Mestre-
Interior. O fato é que, enquanto não aprendermos a olhar para nós
mesmos e ficarmos olhando para os céus esperando um salvador, não
vamos encontrar o verdadeiro EU SOU em nós.
HIDERALDO MONTENEGRO
leia a coluna Hideraldo Montenegro no jornal da cidade:
http://www.jornaldacidadeonline.com.br/listagem_artigos.aspx?cod=76
FADAS, DUENDES E GNOMOS?

uma crença que se alastrou nos meios místicos como se fora uma sua
condição indissociável é a crença em elementais. Verdade que um
místico tem o despertar psíquico mais acentuado e, portanto, é capaz
de perceber certas vibrações que objetivamente boa parte não apreende,
mas há algo curioso sobre a crença em elementais que merece uma boa
reflexão.
A primeira coisa que constatamos nesta crença é sua herança cultural.
Ou seja, ela não acontece naturalmente. É herdada. Precisa ser
transmitida ou não existirá.
Nenhuma criança, que nunca teve algo informação sobre duendes, fadas,
gnomonos, sucupira, saci-pererê e cumade-florzinha, etc., fala sobre a
existência destes ou diz os vê.
Por exemplo, no interior do Nordeste brasileiro, onde nunca se viu
falar em saci-pererê, ninguém jamais o viu, no entanto, algumas
pessoas desta Região soube da existência ou diz ter visto a cumade-
fulorzinha, que tem as mesmas características de um saci-pererê.
Inversamente, na Região Sudeste não existe a cumade-fulorzinha. Lá
ninguém a viu, contudo, sabem da existência ou já viram o saci-pererê.
Em essência, em termos de características de personalidades, trata-se
da mesma entidade.
Ora, quem nos rincões do Brasil, por exemplo, onde não há muitas
informações, já viu um duende, ou gnomo ou fada?
Na Irlanda, entretanto, muitas pessoas dizem ter visto duendes, gnomos
e fadas, mas jamais viram um saci-pererê ou uma cumada-fulorzinha.
Esta crença em elementais, onde a natureza produz seres conscientes e
personificados remonta muita antes da legião de seres mitológicos
gregos. Este pensamento surgiu já na própria pré-história.
Para os gregos da época da mitologia, Zeus, Vênus, etc, eram bem
reais. Curioso que a mitologia grega teve uma influência plenamente
constatada sobre o candomblé africano. Ali ver-se todos os seres
elementais da antiga mitologia grega.
O místico verdadeiro não se deixa iludir. Perguntas simples como "por
que não há fadas de cor negra e por que na África não existem fadas?",
por exemplo, qualificam esta crença na condição de forma-pensamento e
pensamento-forma tão-somente.
HIDERALDO MONTENEGRO
eternaMENTE

eternaMENTE
O silêncio revelador da página em branco e a sua exploração espacial.
Apesar do título (ETERNAmente) sugerir alguma ligação com a tradição
concretista, seu conteúdo implícito remete justamente uma direção
contrária, abstrata: o tempo e a alma. A mente que se eterniza ao
perder qualquer relação concreta, objetiva, material e, assim, ao se
desprender da própria palavra (em sua simples estrutura e solidez),
rompe qualquer vínculo com o movimento estético concretista ao diluir
inclusive a forma, fixando uma poética essencialmente abstrata.
E, é daí que o poeta constrói sua poética na intenção de atingir uma
transcendência além da estrutura formal para falar da imortalidade da
alma.
PARA ADQUIRIR O LIVRO ACESSE:
http://www.agbook.com.br/book/25873--eternaMENTE
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Sin perder la identidad
Certa vez, em Buenos Aires, quando ainda não tínhamos TV a cabo no Brasil, tive a oportunidade de assistir vários canais latinoamericanos. Além dos argentinos, havia uruguaios, chilenos, colombianos, venezuelanos pré-Chavez (o presidente, não o personagem humorístico... ou será que estou confundindo as coisas?) e por aí vai.
Também havia alguns canais brasileiros, o que serviu para lembrar que somos o único país da América Latina que fala português, em continente de colonização majoritariamente hispânica. Não é a toa que Hollywood insiste em ignorar nossa cultura, talvez por que simplesmente a desconheça, mesmo! No mais, aqui como nos EUA, a extensão territorial é tão gigantesca que não dá para falar numa “cultura” brasileira, pela miscigenação e diferenças entre regiões. O que nos diferencia - como aprendi desde os primeiros tempos de infância escolar - é esse mesmo idioma que nos “distancia” dos países que nos fazem fronteira: o português, falado em todos os cantos do Brasil, com regionalismos, sim, mas sem dialetos.
Talvez esse seja o verdadeiro “Milagre Brasileiro”!
Outro fator ao nosso favor é a índole do brasileiro:
Procuramos ser gentis com os estrangeiros, buscando entender o que falam e, até, falar de forma que entendam, mesmo que a recíproca nem sempre seja verdadeira. Conheço espanhóis que vivem há décadas no Brasil e continuam a falar o idioma de Cervantes como se ainda estivesse em terras de D. Juan Carlos. Ignorância, desprezo ou “lei do menor esforço”?
Talvez nos interpretem mal por essa constante tentativa de entender, explicar, conhecer e congraçar. No entanto, vejo nisso uma virtude que poucos povos do mundo têm: a de assimilar outros idiomas e culturas com uma facilidade marcante, o que nos coloca em posição de “ir para o mundo”: embaixadores da boa vontade!
A essa consciência e expectativa inata soma-se a necessidade profissional, movida a globalização. Assim, todo ano milhares de jovens ingressam em cursos de idiomas, fazem intercâmbio, vão estudar ou fazer estágios linguísticos no exterior. Jovens de um país emergente fazendo “imersão” idiomática pelo mundo afora!
Mas, ainda são poucos os que têm poder aquisitivo para isso, apesar da crescente oferta de bolsas de estudo por merecimento. A possibilidade de conhecer outros idiomas e culturas “in loco” seguramente seria uma semente que renderia bons frutos no solo fértil de mentes brilhantes, contribuindo para fomentar a paz mundial. No chão árido das cabecinhas de “filhinhos de papais”, no entanto, quase sempre só geram afetação, arrogância e esnobismo.
Haveria alternativa para essa imersão cultural, sem sair daqui? Bem, se o corpo e, principalmente, o bolso tem limites, esse não é o caso da mente, em absoluto!
É difícil falar o que segue quando está em pleno debate o aumento do percentual de produções nacionais nos canais pagos. De fato, precisamos de mais e, sobretudo, melhores programas brasileiros! Mas, não podemos ignorar o potencial da televisão como útil instrumento de imersão idiomática e cultural, ou seja, como meio de aprendizagem, embora ainda mal explorado nesse âmbito.
Também é preciso questionar o excesso de programas em inglês, mesmo nos “pacotes” básicos. Além disso, canais em outros idiomas implicam em custos adicionais, que podem torná-los proibitivos, elitistas.
Nesse sentido, a TV a cabo ou via satélite também deveria potencializar o aprendizado de outros idiomas, veiculando ao menos um canal em: francês, espanhol, italiano, árabe, chinês e alemão, por exemplo, mediante convênios com emissoras educativas dos países.
A internet já permite essa possibilidade, mas ainda falta uma abordagem pedagógica e de marketing desse potencial, selecionando e programando de forma atraente, instigadora e motivadora.
Não se trata de perder a identidade nacional, o que tem ocorrido mesmo em produções nacionais. Muitas delas, aliás, têm sido vetores da introdução de modismos estrangeiros de elevado interesse comercial, mas de qualidade moral e artística altamente duvidosa para a formação da juventude.
Não se trata de proibir ou censurar esse tipo de programação, mas de oferecer alternativas de qualidade.
Com a palavra: produtores, operadores, educadores, patrocinadores e, principalmente, legisladores e governantes.
Também havia alguns canais brasileiros, o que serviu para lembrar que somos o único país da América Latina que fala português, em continente de colonização majoritariamente hispânica. Não é a toa que Hollywood insiste em ignorar nossa cultura, talvez por que simplesmente a desconheça, mesmo! No mais, aqui como nos EUA, a extensão territorial é tão gigantesca que não dá para falar numa “cultura” brasileira, pela miscigenação e diferenças entre regiões. O que nos diferencia - como aprendi desde os primeiros tempos de infância escolar - é esse mesmo idioma que nos “distancia” dos países que nos fazem fronteira: o português, falado em todos os cantos do Brasil, com regionalismos, sim, mas sem dialetos.
Talvez esse seja o verdadeiro “Milagre Brasileiro”!
Outro fator ao nosso favor é a índole do brasileiro:
Procuramos ser gentis com os estrangeiros, buscando entender o que falam e, até, falar de forma que entendam, mesmo que a recíproca nem sempre seja verdadeira. Conheço espanhóis que vivem há décadas no Brasil e continuam a falar o idioma de Cervantes como se ainda estivesse em terras de D. Juan Carlos. Ignorância, desprezo ou “lei do menor esforço”?
Talvez nos interpretem mal por essa constante tentativa de entender, explicar, conhecer e congraçar. No entanto, vejo nisso uma virtude que poucos povos do mundo têm: a de assimilar outros idiomas e culturas com uma facilidade marcante, o que nos coloca em posição de “ir para o mundo”: embaixadores da boa vontade!
A essa consciência e expectativa inata soma-se a necessidade profissional, movida a globalização. Assim, todo ano milhares de jovens ingressam em cursos de idiomas, fazem intercâmbio, vão estudar ou fazer estágios linguísticos no exterior. Jovens de um país emergente fazendo “imersão” idiomática pelo mundo afora!
Mas, ainda são poucos os que têm poder aquisitivo para isso, apesar da crescente oferta de bolsas de estudo por merecimento. A possibilidade de conhecer outros idiomas e culturas “in loco” seguramente seria uma semente que renderia bons frutos no solo fértil de mentes brilhantes, contribuindo para fomentar a paz mundial. No chão árido das cabecinhas de “filhinhos de papais”, no entanto, quase sempre só geram afetação, arrogância e esnobismo.
Haveria alternativa para essa imersão cultural, sem sair daqui? Bem, se o corpo e, principalmente, o bolso tem limites, esse não é o caso da mente, em absoluto!
É difícil falar o que segue quando está em pleno debate o aumento do percentual de produções nacionais nos canais pagos. De fato, precisamos de mais e, sobretudo, melhores programas brasileiros! Mas, não podemos ignorar o potencial da televisão como útil instrumento de imersão idiomática e cultural, ou seja, como meio de aprendizagem, embora ainda mal explorado nesse âmbito.
Também é preciso questionar o excesso de programas em inglês, mesmo nos “pacotes” básicos. Além disso, canais em outros idiomas implicam em custos adicionais, que podem torná-los proibitivos, elitistas.
Nesse sentido, a TV a cabo ou via satélite também deveria potencializar o aprendizado de outros idiomas, veiculando ao menos um canal em: francês, espanhol, italiano, árabe, chinês e alemão, por exemplo, mediante convênios com emissoras educativas dos países.
A internet já permite essa possibilidade, mas ainda falta uma abordagem pedagógica e de marketing desse potencial, selecionando e programando de forma atraente, instigadora e motivadora.
Não se trata de perder a identidade nacional, o que tem ocorrido mesmo em produções nacionais. Muitas delas, aliás, têm sido vetores da introdução de modismos estrangeiros de elevado interesse comercial, mas de qualidade moral e artística altamente duvidosa para a formação da juventude.
Não se trata de proibir ou censurar esse tipo de programação, mas de oferecer alternativas de qualidade.
Com a palavra: produtores, operadores, educadores, patrocinadores e, principalmente, legisladores e governantes.
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