terça-feira, 5 de outubro de 2010

Poemas cantados para crianças


Poemas cantados para crianças

             

SescTV presta homenagem as crianças com o especial infantil "Crianças Crionças", que no dia 13 de outubro, às 22h

                  

Poemas transformados em delicadas canções, projeções de animações e performances lúdicas compõem o Especial Musical Crianças Crionças - com direção geral para TV de Rodrigo Giannetto. No repertório, músicas do CD homônimo, gravado pelo Selo Sesc, com melodias destinadas ao público infantil. Com interpretações e arranjos do compositor e produtor Cid Campos, que também é diretor musical do espetáculo, algumas dessas canções são traduções dos poemas dos ingleses Edward Lear e Lewis Carroll, autor de "Alice no País das Maravilhas", em versões do poeta Augusto de Campos. Também são musicados poemas de Augusto e Haroldo de Campos, Paulo Leminski, Luis Turiba e Walter Silveira.

                   

O projeto Crianças Crionças - que resultou em CD gravado pelo Selo Sesc e no espetáculo que o SescTV exibe no dia 13 de outubro, às 22h -,  nasceu quando  Augusto percebeu a facilidade de Cid em musicar os seus poemas, tornando-os comunicativos. Nessa época, fizeram juntos uma canção para o primeiro CD do "Palavra Cantada", em 1994, trabalho dos músicos Paulo Tatit e Sandra Peres, com participação de diversos compositores. A concepção da música instigou em Cid o desejo de criar um projeto destinado às crianças e, mais tarde, ele idealizou o Crianças Crionças.

                        

Gravado ao vivo em dezembro de 2009, no Sesc Santana, capital paulista,  o Especial Musical Crionças Crianças apresenta composições como: De Ninar, de Cid Campos e Augusto de Campos; A Pata e o Canguru, versão de Augusto de Campos; Garça, de Cid Campos e Walter Silveira; A Lua no Cinema, de Cid Campos e Paulo Leminski; Poema - Cauda, de Cid Campos e Lewis Carroll, versão de Augusto de Campos; A Mesa e a Cadeira, de Cid Campos e Edward Lear; e Canção da Falsa Tartaruga, versão de Augusto de Campos.

                       

Elementos cênicos são agregados ao espetáculo através de performances lúdicas encenadas pelo ator Carlos Cesare.

                                                           

                                   

SERVIÇO:

                                     

ESPECIAL MUSICAL

Crianças Crionças

Inédito: 13/12/ às 22h

Classificação Indicativa: Livre

Reapresentações: 14/10, às 16h; 15/10, às 10h; 16/10, às 19h; 17/10, às 16h e 23h

                              

 

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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Com a palavra os Candidatos...

Democracia e união para construir o futuro
O Brasil dará neste domingo mais uma demonstração da nossa vitalidade democrática. O mundo nos observa na expectativa de confirmar a extraordinária evolução do país nos últimos anos.
Por Dilma Rousseff 
Segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Somos hoje capazes de vencer o desafio do crescimento sustentado, inclusive ambientalmente, e de combater a desigualdade, promovendo distribuição de renda e justiça social.

Realizadas com ampla liberdade e garantias plenas para milhares de candidatos e 136 milhões de eleitores, as eleições reafirmam a característica mais notável do novo Brasil que está surgindo.

Trata-se do fato de que, em nosso país, as grandes transformações econômicas, sociais e políticas transcorrem no mais absoluto processo democrático. Democracia é um valor que nos distingue e nos qualifica no cenário internacional.

A conquista da democracia e seu constante aperfeiçoamento relacionam-se diretamente aos avanços do país nos últimos anos. É profundamente democrática, por exemplo, a ascensão à cidadania de 28 milhões de brasileiros que saíram da miséria, no governo do presidente Lula, graças ao crescimento econômico e a programas sociais abrangentes e eficazes, como o Bolsa Família, o Luz Para Todos e o Minha Casa, Minha Vida.

Nossa política econômica é pautada por um sentido inequívoco de inclusão -desde a valorização do salário até a multiplicação da oferta de crédito, além da retomada do investimento proporcionada pelo PAC.

Adotando medidas que incentivam a produção e o acesso ao consumo, conseguimos impulsionar o mercado interno em nova e poderosa dinâmica, além de revigorar o comércio internacional e multiplicar as exportações.

Do ponto de vista social, do olhar que caracteriza nosso projeto para o país, o resultado dessa política foi a criação de 14,5 milhões de empregos com carteira assinada, com a ascensão de 36 milhões à classe média -uma nova classe média, que incorpora ao mundo do trabalho e da geração de renda cidadãos de fato e de direitos.

Estamos alcançando um novo patamar dos direitos fundamentais, em que a noção de liberdade ultrapassa a justa possibilidade de reivindicar e se concretiza no direito de viver com dignidade, para mais livremente participar da vida social.

Esta evolução é revigorada cotidianamente na convivência das instituições republicanas com o exercício amplo e irrestrito da liberdade de expressão e manifestação. Por meio de suas organizações, de uma imprensa livre e de meios de comunicação e informação instantâneos, a sociedade se manifesta, influencia, critica e corrige. A inteligência é livre neste país.

Só o processo democrático seria capaz de operar transformação tão profunda, em espaço de tempo relativamente curto, num país marcado por séculos de injustiça e exclusão. Só a democracia, exercida no respeito à Constituição e ao Estado de Direito, permitirá consolidar e fazer avançar o processo de mudanças que fez do Brasil um país amado por seu povo e respeitado no mundo.

Quando a vontade soberana da maioria se pronunciar, será nosso dever unir o país, com os olhos no futuro.

Temos a oportunidade histórica de construir uma nação para 190 milhões e para os que virão depois. Reduzir o resultado eleitoral ao triunfo de uns sobre outros em nada contribuirá para essa conquista.

Contados os votos, seja quem for o vencedor, será hora de somar forças, na convivência democrática, para fazer do Brasil um país ainda melhor e mais justo, governado para todos, como é hoje, e com oportunidades para todos.

Dilma Rousseff é candidata do PT à Presidência da República



Em discurso, Serra agradece carinho do povo brasileiro
"Em todos os lugares do Brasil, eu encontrei carinho, compreensão", afirmou
Brasília (04) – Escolhido pelo brasileiro para disputar o segundo turno, na principal festa da democracia, as eleições, ocorridas nesse domingo, o candidato do PSDB à Presidência, José Serra (SP), agradeceu à população pelo voto de confiança. "Em todos os lugares do Brasil, eu encontrei carinho, compreensão. Na verdade, foi o povo brasileiro que nos trouxe até aqui".
Em São Paulo, Serra discursou ao lado da mulher, Monica Serra, do vice em sua chapa, Indio da Costa (DEM), do governador e do senador eleitos Geraldo Alckmin (SP) e Aloysio Nunes Ferreira, respectivamente, e do governador do estado Alberto Goldman.
Durante o pronunciamento, ele lembrou que não muda de opinião conforme a conveniência, em uma crítica direta às mudanças de postura da candidata petista, Dilma Rousseff. "Eu nunca escondi nada, tenho posições claras e uma única cara, o que na vida pública é muito importante, para que a população possa se fazer autenticamente representada", disse.
O presidenciável parabenizou a candidata Marina Silva, do Partido Verde, que recebeu 19,33% dos votos válidos (19,6 milhões). "Eu queria congratular a Marina Silva, pela votação expressiva. Ela contribuiu para o jogo democrático no Brasil. Esta foi outra contribuição muito importante que essa senadora deu ao processo eleitoral e ao nosso País", avaliou.
Diferentemente da candidatura oficial, Serra mostrou-se preocupado com a integridade das instituições. "Nós vamos defender a integridade das instituições, lutar incondicionalmente pela liberdade de imprensa, respeitar os poderes Legislativo e Executivo." Nas últimas semanas, petistas criticaram a imprensa por denunciar casos de corrupção envolvendo a Casa Civil.
Preocupado com o futuro do País, Serra se comprometeu a fortalecer os serviços públicos. Ele escolheu a segurança, a saúde e a educação como prioridades, áreas que, segundo ele, estariam estagnadas ou regrediram no atual governo. "Vamos trabalhar para avançar na segurança, na saúde e na educação. Saúde e segurança têm a ver com a vida, a educação com o futuro", afirmou.
No fim do discurso, Serra pediu um minuto de silêncio em memória ao ex-deputado Aécio Cunha, falecido minutos antes de a apuração começar. Cunha é pai do senador eleito Aécio Neves. O velório ocorreu na Assembléia Legislativa e o corpo foi cremado às 14h desta segunda-feira, no cemitério Parque Renascer, em Belo Horizonte.
Visivelmente emocionado, Serra conclamou a militância tucana rumo à vitória. "De braços dados, cabeça erguida e coração leve, nós vamos caminhar para a vitória. Pelo nosso futuro, nossas famílias, filhos e netos. Com respeito, com Deus, com amor no peito pelo Brasil, vamos á vitória pela Presidência e pelo Brasil."

 

domingo, 3 de outubro de 2010

Romance Zero de Ignacio de Loyola Brandão - 35 Anos de Nós Mesmos?










O Clássico Romance Vanguardista, “Zero” de Ignácio de Loyola Brandão, ou, 35 Anos de Nós Mesmos?

“É necessário estar sempre bêbado
para não sentir o fardo horrível do
tempo, que abate e faz pender à terra.
É preciso que nos embriaguemos sem cessar,
mas, de quê? De vinho, de poesia, ou de virtudes.
Como acharmos melhor, contanto que nos embriaguemos.
(Baudelaire)

Eu ainda mal-e-mal me exilando de Santa Itararé das Artes, interior de Sampa (hoje o falido estado todo um Samparaguai de tantos pinóquios de chuchus) estando ainda saindo da fase do guri que amava os Beatles e Tonico e Tinoco, quando literalmente me caiu de vereda nas mãos o diferenciado livro “Zero” do Ignácio Loyola Brandão que me embriagou, quando eu já me gabava de, rebelde sem causa com calca rancheira, ter o proibido “Livro Vermelho de Mao”, como quase sempre consegui ter & ler os proibidos, os malditos, os contestadores, que na verdade eram enormemente interessantes trabalhos literários de peso, de vanguarda, marcos literários deste nosso Brazyl S/A de muito ouro e pouco pão. Sim, meus irmãos, a vida violentou o muro mas também iluminou cabeças e Ignacio de Loyola Brandão clarificou a literatura desde então. O silêncio vem das bocas?. O romance Zero foi eleito um dos melhores romances do Século XX pela Revista Manchete. Já pensou a lucidez que mora nos desfechos? Viver em Sampa nunca foi só abanar o rabo.

De lá pra cá o Ignácio de Loyola Brandão tornou-se verdadeiramente o melhor nome da literatura brasileira, embriagando seus leitores, surpreendendo, novidadeiro, e o livro Zero virou lenda, e, acima de tudo uma espécie marcante de literatura brasileira pela visão, arrojo, lucidez criacional e obra fora de série com Grandes Sertões Veredas, Dom Casmurro, Incidente em Antares, só para citar alguns. O guri de Araraquara que tinha palavras para agitar colegas desde o primário, tinha loucamente antenado escrito um clássico histórico em plena treva ditatorial, do caos nascendo a luz. E nunca houve um outro trabalho igual o Zero. Escrito nos Anos 60 em que o país sofria o cravo do que Millôr Fernandes sabiamente rotulou de a Canalha de 64, o livro inteligentemente descreve de diversas maneiras, inclusive intertextuais, diferenciadas, experimentais com visão, o que foram os nossos tenebrosos anos de chumbo. A primeira edição foi publicada na Itália em 1974 e somente no ano seguinte saiu no Brasil. Em julho de 1976 recebeu da Fundação Cultural do Distrito Federal o prêmio de Melhor Ficção. Em seguida foi censurado pelo Ministério da Justiça e sua venda proibida em todo o território nacional por ser considerado um atentado à moral e aos bons costumes. Sua proibição, no entanto, fomentou entreveros, críticas, repercussões éticas, discórdias datadas contra o regime de arbítrio, resistências paisanas, permitindo um suporte para a apurada reação de escritores, quando artistas e intelectuais começaram a se manifestar contra a ditadura militar. “O artista é testemunha de seu tempo, de sua sociedade com tudo que ela tem de coisas boas e ruins. Principalmente ruins. Ele não pode cancelar uma realidade sob o pretexto que essa realidade é inoportuna ou desagradável”, assim se manifestou a escritora Lygia Fagundes Telles, uma das cabeças pensantes do grupo, num ato público em 1977 promovido pelo semanário Aqui São Paulo, do jornalista Samuel Wainer. Em 1979 finalmente o livro ZERO foi liberado pela censura e desde então, 12 edições foram vendidas no Brasil, além das traduções para o alemão, coreano, espanhol, húngaro, inglês e italiano. Ainda hoje, quase 35 anos depois, Zero continua atual, brilhante, feito um visionário vídeoclipe literário, surpreendendo os que buscam o que há de melhor de nossa literatura humanizada. Ignácio de Loyola Brandão é jornalista e escritor, já tendo publicado mais de vinte livros, mas ZERO que deve ser relançado agora em edição especial, como o marco de sua trajetória de escritor sensível, as vezes irônico mas sempre antenado com esta Sampa que cresce mal-e-mal quatro por cento, quando o Brasil (fora de SP), cresce muito mais, apesar da propaganda enganosa do governo de sp que diz que São Paulo está cada vez melhor, feito uma piada ordinária de mau gosto, com o professor paulista-paulistano, por exemplo, ganhando trinta por cento a menos do que o professor do Piauí. Ignácio de Loyola Brandão, a bem dizer, virou uma espécie assim de porta-voz dos que ainda pensam, sentem, criam, frente ao cinismo político o seu modelito neoliberal que incrementa as prizatizações-roubos (privatarias amorais sem auditoria) e a própria terceirização neoescravista em antros, máfias e quadrilhas que abundam em SP.

O processo de criação de "Zero" durou nove anos, entre 1964 e 1973, justamente um dos períodos mais truculentos do regime militar brasileiro que foi uma tragédia histórica e cujo preço social pagamos até hoje. Ignácio Loyola Brandão disse: "A obra trata das crueldades da ditadura, mas de forma metafórica, literária". Ignácio Loyola Brandão sentiu na pele as agruras da funesta ditadura. Trabalhando no jornal paulista Última Hora, o escritor enfrentou problemas com a censura dentro da redação. "Fui guardando as matérias censuradas, pensando em escrever um romance de amor. Sem querer, estava nascendo o 'Zero'", contou.

A obra surgiu inicialmente como uma série de fragmentos intertextuais sobre uma grande metrópole sob o peso do medo de uma caterva reacionária. Com o Ignácio Loyola Brandão notou que se tratava de um romance, logo deu estrutura ao trabalho de peso e criou um elo de ligação: o casal José e Rosa, que atravessava todas as histórias. "Zero" foi censurado pela ditadura brasileira mas teve sua primeira edição publicada na Itália. "Quando terminei o trabalho, nenhuma editora brasileira ousou publicá-lo. Passei por onze editoras e todas recusaram. Fui ficando angustiado".

Hoje, o escritor colhe o fruto de seu importante trabalho, faz sucesso com merecimento, faz palestras, congressos, debates, com o que embriaga com a sua coragem-lucidez e sua obra maior continua sendo lida e relançada em idiomas, que variam do alemão ao coreano, dando suporte significativo à sua carreira, uma das melhores cabeças pensantes atual. Além de "Zero", o brilhante Ignácio Loyola Brandão também é autor de outras obras de alto nível como "Não Verás País Nenhum", "O Ganhador", "O Anjo do Adeus", "Veia Bailarina e Anônimo Célebre", no seu realismo feroz, segundo o crítico Antonio Cândido.

O menino que vendia palavras na escola primária, agora se regala com o manejo delas, colaborando com jornais brasileiros, escrevendo seus livros, pondo sua veia para bailar prosas de alto nível. Do Zero ao infinito? Pois Inácio tem a cara, a coragem e o talento daqueles que enxergam longe, dão testemunho de seu tempo (e agruras de seu tempo), escrevendo crônicas que ilustram as páginas dos jornais brasileiros, clarificando corações e mentes.

35 Anos de ZERO, um épico neorelista extraordinariamente contemporâneo e atual, moderno e contundente ainda, e que também e por isso mesmo continua a nossa cara, o jeito de nós mesmos, a cara de São Paulo indo pra trás, contra a cara do Brasil saindo do ostracismo em âmbito mundial, os podres poderes que hoje estão na economia e em parte da mídia comprometida com agiotas do capital estrangeiro, para não dizer de Sampa cada vez mais “da força que ergue e destrói coisas belas” (Caetano Veloso), modelito tupiniquim de corrupção generalizada e impunidade tucano-liberal-do-DEMO exportado para o resto do país.

Ubiratan Brasil diz do clássico Romance Zero “A obra é especial para Ignácio de Loyola Brandão(...) Há de fato uma transgressão, mas não apenas no conteúdo como também na forma. É um fantástico jogo intelectual, com a ficção se confundindo com a realidade em meio a colagens de desenhos unidos por frases sem pontuação”.

Mas Sampa, paradoxalmente sobrevive e emerge entre o céu e o inferno, é um afrolatino estágio, ou luso-tupídico caldeirão lítero-cultural que também exporta Ignácio de Loyola Brandão contextualizando prismas letrais dessa louca megalópole que, como diz Tom Zé, “amodeio”.

Zero a Zero? 35 Anos de Nós mesmos é para se comemorar com Zero e com o Ignacio Loyola Brandão que anda mais criativo do que nunca, em alto astral, em paz com a consciência da vida, e deveria ter, isto sim, um congresso lítero-cultural só em homenagem a ele, chamando os nativos pro debate, pro forfé letral de um ZERO que passados trinta e cinco anos ainda é Nota Dez com louvor.

Murilo Mendes dizia que tinha de dar de comer ao poema. Pois Ignacio de Loyola Brandão dá de comer à ficção que escreve com sangue, suor, lágrimas, humor, musica e invencionices letrais de muito bom gosto.

Bebamos a isso!
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Silas Correa Leite, Jornalista Comunitário, Teórico da Educação, Conselheiro em Direitos Humanos – Santa Itararé das Letras-SP
Autor de CAMPO DE TRIGO COM CORVOS, Contos, Editora Design e Porta-Lapsos, Poemas, Editora All-Print - Blogue premiado do UOL:
www.portas-lapsos.zip.net
E-mail: poesilas@terra.com.br

Artigo: Ser é mais importante do que ter.

 
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      Autor: Nelson Tanuma 
 

    Vivemos hoje em um mundo extremamente competitivo onde as pessoas buscam desesperadamente e a todo custo, acumular bens materiais, ter corpo perfeito, ter mais tempo, status e poder, e assim, vivemos dentro de um contexto de vida estressante, nascisistica, e insaciável. Muitas vezes nos esquecemos de que, não obstante a fugacidade da vida, o que vem em primeiro lugar é SER, em seguida FAZER, para depois vir a TER. Se você busca tornar-se um profissional e um ser humano melhor, e vem  executando seu trabalho com amor e dedicacão, o resultado financeiro positivo será inevitável e uma mera consequência de seus pensamentos e atitudes. Certa vez ouvi uma definição de status que guardei na memória por ter considerado interessante e hilariante, motivo pelo qual transcrevo a seguir: "status é comprar o que você não precisa, com o dinheiro que você não tem, para mostrar para aqueles que você não gosta, aquilo que você não é". Penso que existe uma grande verdade inserida nessa frase. Na medida em que a pessoa amadurece, ela tende é de se preocupar-se menos com a busca pelo status e passa a procurar mais sua auto-realização, entretanto, existem pessoas que não conseguem libertar-se da  chamada "Síndrome de Peter Pan"; são aquelas que recusam-se a amadurecer, apesar da idade.

   É importante ter saúde sim, e não vale a pena perder a saúde e acumular riquezas, para num futuro breve ter que gastar  toda fortuna para tentar reaver a saúde perdida; e não obstante isso ser uma absoluta falta de inteligência, muitas pessoas hoje em dia fazem isso. A vida é uma bela viagem, e importa mais aproveitar bem a viagem do que preocupar-se apenas com o destino final.

   É essencial investir na sua estrutura pessoal e profissional, tendo um objetivo em mente que esteja relacionado aos seus valores pessoais, e em seguida, partir para a ação. O importante não é apenas o objetivo em si, mas sim, o que o objetivo faz conosco, como  ele nos afeta e mexe com nossas emoções. É isso é que nos dá motivação para acordarmos felizes pela manhã e  nos faz sentirmos motivados para mais um dia de vida.

   Tenha sonhos grandiosos,  trace metas. Se você tem uma direção, faz sentido organizar sua agenda. O importante não é o que acontece conosco, e sim, o significado que damos para aquilo que acontece em nossas vidas. Saiba que o fracasso não existe, o que existe são resultados que consideramos satisfatórios ou não. É importante que estejamos aprendendo a cada instante dentro de nossa organização ou de nosso negócio próprio. Se não estamos aprendendo e crescendo é porque chegou a hora de mudar. Mude voce ou mude-se. Todos sabemos que mudar não é fácil, é tão difícil mudar que pesquisas demonstram que o ser humano tem menos medo da morte do que da mudança. A mudança nos deixa incomodados e ansiosos, justamente porque nos tira da chamada zona da conforto. É preciso renovar-se a cada, dia. A medicina nos ensina que, fisicamente não somos mais a mesma pessoa que fomos há sete anos atrás, já que nesse intervalo de tempo, todas as células do nosso corpo se renovaram. Precisamos nos conscientizar de que tudo mudou, muda e mudará.

   É preciso ter criatividade e coragem para mudar, crescer e se desenvolver-se a cada dia. Ser louco é fazer sempre a mesma coisa, da mesma maneira, e querer obter resultado diferente, entretanto diariamente observamos a insanidade comandar a rotina paralisante na vida de muitas pessoas. É preciso estar aberto às mudanças; é preciso desbloquear e dar vazão ao fluxo da vida. Busque um sentido para sua vida e a direção a seguir ficará mais clara e visível para você. Se você tem uma meta, um sonho grandioso, tudo começa a fazer sentido para você, e, e você passa a amar-se a si mesmo cada vez mais.

   Administre bem o seu tempo, pois, tempo é um bem insubstituível, enquanto que os bens materiais são substituíveis, e se você não tomar conta da sua vida, certamente alguém irá tomar conta por você. O dia a dia de toda pessoa é bem parecido, o que faz a diferença são os pequenos detalhes.

   É bem verdade que o hábito faz o monge. Cuide-se! pois o  tempo não para, não volta mais, o dinheiro é algo muito importante quando bem utilizado, entretanto, saiba que  dinheiro algum será capaz de nos fazer recuperar o tempo perdido e mal utilizado. Portanto, 
divirta-se mais, ame mais e perdoe mais a si mesmo e aos outros, e,  utilize com sabedoria seu dinheiro e seu tempo! 


(Nelson Tanuma é diretor da empresa VITA - Educação Empresarial, especialista pós-graduado em Desenvolvimento do Potencial Humano nas Organizações pela Faculdade de Psicologia da PUC, ministra cursos e palestras pelo CIESP/FIESP, SEBRAE-SP, Fundação Bradesco, UMC, Universidade Corporativa da ACMC e Organizações diversas)


    

fonte: www.nelsontanuma.com.br   



 


 

poesia

 

NASCI POBRE

 

Nasci pobre como muita gente,

E sempre senti o poder do dinheiro.

Ser pobre no Brasil é ser escravo,

E a quem diga que neste país não tem cativeiro.

 

Eu sinto a amargura de ser pobre,

E igual a mim sente-se muita gente.

Trabalha-se a vida inteira para os outros,

E nunca se consegue um salário decente.

 

Ser pobre é ser escravo, digo mais,

É não ter esperança no porvir,

E saber-se que sai governo e entra governo,

E que infelizmente vamos morrer assim.

 

Vivaldo Terres.


 

 

sábado, 2 de outubro de 2010

A santa que nunca foi santa


Pedro Coimbra


Ela nasceu em uma grande fazenda denominada Segredo, nas fraldas da Serra do Carrapato. As terras de seu pai, Coronel Anselmo, se perdiam de vista, num suceder de vales, planícies e montes. Dedicadas à mineração, à criação de gado e ao plantio de café as propriedades só prosperavam.
Aos pés de uma árvore de óleo balsamo ele ergueu um enorme casarão, adequado ao seu poderio. No andar superior os cômodos familiares, uma grande sala, a copa e a cozinha. Nos porões alojavam-se os escravos sempre escolhidos como muito cuidado nos leilões e trazidos para trabalhar diante do maior rigor.
Coronel Anselmo era considerado pelas cercanias um homem mau, que abusava das negras e vivia a fazer malvadezas com os negrinhos. Era pai de seis filhas e a última delas era Lia, que nasceu fora do tempo e foi criada no meio dos grandes seios de uma mulher que os brancos chamavam Maria e os negros de Yao.
Era uma menininha de cabelos alourados e encaracolados, com uma perna definhada, que andava pelos cantos do casarão, ensimesmada.
Naquela época as revoltas dos escravos, principalmente dos que viviam do trabalho na mineração eram comuns em todas as Vilas e lugarejos. Foi o que aconteceu na Fazenda Segredo numa noite sem lua. Os escravos fugiram das senzalas, mataram o Coronel Anselmo, seus familiares e incendiaram o casarão.
Só Sá Lia escapou no que foi considerado seu primeiro milagre. Andou por entre as barricas de sal que os revoltosos haviam espalhado pelo chão para que nada mais surgisse naquele lugar amaldiçoado. Pouco a pouco foi aprendendo a sobreviver de raízes que encontrava e de insetos.
Depois sentava-se num tronco, coberta de andrajos e punha-se a murmurar ladainhas ininteligíveis. As negras escravas trazidas por Yao, saiam de um quilombo formado nas cercanias e entregavam os seus rebentos para serem curados das doenças do dia a dia.
Seu segundo grande milagre foi tirar das mãos dos capitães do mato e dos aventureiros franceses um líder negro do quilombo chamado Belisário. Diziam que Sá Lia o salvara voando por cima do acampamento.
Um padre alemão, Cônego Francisco, condoído com sua vida sofrida a levou para morar na sua casa na Vila e colocou-a a fazer trabalhos domésticos e cuidar das coisas da Igreja. Mesmo assim filas de formavam as suas portas para que benzesse as pessoas de todos os males.
Numa missa vespertina aconteceu seu grande milagre, pelo qual seria para sempre lembrada. No momento da comunhão vários fiéis testemunharam que cascatas de sangue jorraram sobre sua cabeça. Deixou de ser Sá Lia e passou a ser denominada Santa Lia, sobre cuja cabeça caiam constantemente pétalas de rosa branca.
Cônego Francisco, a quem toda aquela movimentação desagradava muitas vezes acabou por construir uma capelinha no alto de um morro e um casebre para abrigar Santa Lia. Ela viveu por muitos anos e despediu-se deste Vale de Lágrimas já centenária, nos braços da multidão.
Os anos se passaram e muito antes das autoridades eclesiásticas determinarem um processo de santificação que todos os fiéis ansiavam, um advogado e jornalista, Jacinto Melo, que escrevia num jornal da capital, resolveu investigar a vida de Santa Lia.
Seu artigo repercutiu como uma bomba a começar pela manchete: “A santa que nunca foi santa”. Dissecava cada um dos milagres a ela atribuídos, a começar pelo de sua salvação quando da revolta dos escravos que tudo dizimaram. A garotinha fora acordada pela negra Yao e se escondera numa arca de jacarandá até o morticínio acabar. Não conhecia nenhuma oração especial e seus murmúrios continham palavras desconexas. Não levara pelos ares Belisário que saiu de sua prisão mercê de muitas mortes de seus companheiros. O grande milagre ocorreu num dia que a igreja estava vazia, com o Cônego Francisco e mais duas beatas. As versões para o fato eram contraditórias e o sacerdote nunca aceitou que algo sobrenatural houvesse acontecido. Ao contrário do que podia parecer Santa Lia tinha muitas ligações com os grupos políticos que dominavam a região...
A grande revelação do jornalista era que tivera acesso a cartas que Cônego Francisco deixara ao morrer, que comprovavam sua situação de amásio de Sá Lia, que resultou em pelo menos três rebentos.
Jacinto Melo foi execrado e sumiu na história, sendo que muitos atribuíam sua morte prematura a “aquela doença ruim”.
Para Santa Lia não ouve processo de beatificação ou santificação, mas até hoje, centena de milhares de devotos peregrinam até a sua capela...

Voto Limpo

Empate no STF sobre a Lei da “Ficha Limpa”:
Ela estaria vigendo já para esta eleição? Ela é um “arremedo de lei”?
Então: persistindo esse impasse até depois das eleições, o voto para seu candidato valerá?

Bem, a pergunta não deveria ser essa, mas: porque você votaria em alguém que, agora ou depois, foi ou poderia ser tornado inelegível por esta ou outra lei, que vise a moralizar o acesso aos Três Poderes?

A essa pergunta, outras poderiam ser agregadas:
Você vota nele por amizade, interesse pessoal, coação partidária ou religiosa, protesto ou o quê, que não seja acreditar na honestidade e competência do candidato? Você o defende com unhas e dentes? E com a sua consciência? Você é cabo eleitoral, “pau mandado” ou “de galinheiro”, convicto, de algum deles?
Essas perguntas são necessárias porque, parafraseando o antigo ditado, nós somos responsáveis pelo “Mateus” que parimos ou adotamos! No caso de eleição, quando apoiamos ou votamos num indivíduo que está ou poderia estar enquadrado nesta lei assumimos, declarada ou anonimamente, a condição de cúmplices de seus atos. Quando o reelegemos, então...
Há muito tempo atrás, havia um lema oficioso de campanha que afirmava: “Rouba, mas faz!”.

É só isso que podemos esperar de quem escolhe a política?
Tenho certeza absoluta que não, e existem bons exemplos disso!
Mas, como quem adota esse lema chega “lá”? Pelo voto ou pela indicação de quem foi eleito! E como as urnas eletrônicas reduziram a níveis desprezíveis o risco de fraude eleitoral, não há desculpa: o nosso voto é o grande responsável por todas as consequências!

Pense bem: quando seguidos levantamentos internacionais apontam o Brasil como um dos países mais corruptos do mundo, quem você acha que está sendo julgado por isso?
E aí, a Lei da “Ficha Limpa” valerá ou não para essa ou outra eleição?
A resposta deveria vir de outra pergunta:
Precisa de lei para orientar quem tem consciência limpa, ou para identificar quem enriquece ilicitamente, pratica nepotismo ou desvia verbas que deveriam ser aplicadas à saúde e educação?

É certo que a propaganda e os discursos eleitorais não ajudam muito a revelar o caráter dos candidatos. Alguns até usam deliberadamente deles para desviar a atenção do eleitor do assunto. O que mais se aproxima dessa necessária revelação é o debate, mas mesmo ele - com todas as regras pré-estipuladas pelas assessorias políticas e orientações de “marketeiros” - também tem sua confiabilidade limitada. Há ainda as denúncias da imprensa, muitas delas plantadas por opositores, traidores ou preteridos.

São verídicas? Bem, isso depende de apuração e não de amordaçamento.
O ideal, embora nem sempre possível, é conhecer muito bem o candidato. E se você o conhece bem, inclusive o que o desabona moral e eticamente, e vota nele, como justificar, depois?

Valendo ou não a Lei da “Ficha Limpa”, o que realmente serve e vai levar o Brasil a um novo e necessário patamar de confiabilidade interna e externa é o voto de consciência limpa. E para isso não precisa de lei!

Prêmio Impacta Mais: Tecnologia para regeneração das águas vence como Negócio de Impacto do Ano

  Além do Negócio do Ano, conheça os vencedores das 7 categorias da premiação   Desenvolvida pela Infinito Mare, a Caravela Ecológica, uma t...