sexta-feira, 16 de outubro de 2009

: ENTREVISTA ESPECIAL: ZYGMUNT BAUMAN (PRIMEIRA PARTE)

 

16/10/2009

ENTREVISTA ESPECIAL: ZYGMUNT BAUMAN (PRIMEIRA PARTE)

 

A matéria de hoje inaugura uma série de três que compõem a entrevista que o professor Zigmunt Bauman concedeu à Agência Notisa, na qual trata da questão das favelas do Rio de Janeiro. Nossa intenção foi interrogar se, para o sociólogo polonês, haveria ligações entre os conceitos que descreve no seu livro Modernidade e Holocausto e o contexto da cidade. Basicamente, Bauman mostra no livro que o Holocausto, tal como outros genocídios levados a cabo no mundo contemporâneo, não é uma deformidade da História, mas sim um mecanismo inerente à Modernidade, especialmente organizado de forma fabril para dar conta de "limpezas" consideradas necessárias e organizadas pelos Estados. Vale aqui uma explicação sobre as rotinas de produção desta entrevista: enviamos o pedido, acompanhado de três perguntas, e o professor nos solicitou um tempo para estudar o assunto. O resultado foram três artigos, respectivamente elaborados para cada uma delas. Optamos pela tradução e publicação na íntegra, inclusive com a bibliografia que segue, no último envio, próxima terça feira. É nossa intenção também disponibilizar as respostas originais em inglês, que poderão ser pedidas a nós por e-mail, ao término da publicação completa. 

 

NOTISA: a situação das favelas brasileiras pode ser comparada com o Holocausto, de alguma maneira?

 

Zygmunt Bauman – Não, colocar o fenômeno das favelas na mesma categoria do Holocausto faria sua compreensão, assim como sua profilaxia, mais ao invés de menos difícil. Holocausto (de judeus, ciganos, armênios na Turquia, tutsis em Ruanda) foi um meio desenvolvido e aplicado para aniquilar populações inteiras, homens e mulheres, idosos e jovens – grupos considerados 'vazios' de usos positivos, quando em interferência com o modelo de ordem social, que se presumia dever ser entranhado e reforçado. As favelas, multiplicadas e vivendo um 'inchaço' desde os anos 70 nas grandes cidades do Brasil – passaram de cerca de 60 favelas no Rio de Janeiro em 1940 para um número que se alega ser de 600 hoje – pelo influxo massivo de populações rurais sem terra, expropriadas ou desempregadas (predominantemente do nordeste do país), encontraram sua posição indispensável na totalidade do sistema social vigente, praticam uma série de funções sociais para as quais são, até agora, insubstituíveis, e até onde eu sei, não existem projetos que visem à exterminação de seus habitantes in totum, tampouco há um grupo poderoso o suficiente para compor e sustentar tal desígnio.

 

Para começar, as favelas servem como 'lixeira' para o grande número de indivíduos 'redundantes', comprimidos de outras partes do país, onde seus tradicionais modos de vida foram destruídos, que procuraram chances de reconstruir suas vidas nas cidades grandes, mas para os quais os poderes do Estado não possuem provisões sociais para oferecer, ou planos para provê-los no futuro próximo. A notória 'informalidade' da vida dentro desses meios, pairando constantemente à beira da ilegalidade, atua "como uma alternativa" para as agências do Estado, que não são hábeis o bastante para assumir a responsabilidade pela sobrevivência dos empobrecidos, exilados e redundantes.Mesmo sem declarar isto abertamente, agências estatais devem estar confortáveis com a capacidade de as populações das favelas de "cuidarem dos assuntos com as próprias mãos" – por exemplo, montar seus barracos com materiais instáveis, encontrados ao acaso ou roubados, na falta de projetos de habitação planejados e construídos por autoridades estaduais ou municipais para acomodá-los. Na verdade, as consequências potencialmente desastrosas da escassez de serviços médicos públicos são ao menos, em pequena parte, mitigadas pela presença de redes informais/ ilegais de patrões e clientes.

 

O vácuo político-social criado no interior desses meios pela saída em retirada de instituições estaduais ou municipais, sua relutância ou inabilidade de adentrar e (para todos os intentos e propósitos práticos) verdadeira suspensão aí das leis do país, assim como a incapacidade de o Estado de fazê-las obrigatórias, foi prontamente preenchido por poderosos impérios do tráfico de drogas – para os quais as favelas, na condição de que a presente situação se perpetue, se tornaram rapidamente indispensáveis: de fato, principais enclaves no país – uma vasta rede de postos avançados. Esses impérios, fazendo com que o Rio se tornasse um elo crucial na rota da circulação da maconha e da cocaína, têm agora investido na meta de preservar as favelas e seus mecanismos de auto-reprodução. Com tais objetivos em mente, o Comando Vermelho e seus competidores emergentes/alternativos, como, por exemplo, o Terceiro Comando, assumiram, mesmo que de forma deformada, a 'lei e a ordem' e as funções de prover serviços sociais, que as agências estatais abandonaram ou falharam em assumir.

 

É claro que, muitas das funções decisivas para levantar as populações das favelas acima do círculo vicioso de pobreza, exclusão e 'invalidez' social, como, por exemplo, a educação – 25% dos moradores jovens das favelas não possuem qualquer instrução, e somente 1% alcançou o nível superior – caíram como baixas colaterais dessa mudança de poder.

 

Na falta de todo e qualquer constrangimento legal – muito menos um controle estatal efetivo – sobre a atividade dos conglomerados do tráfico de drogas, as favelas se tornaram o palco favorito onde é encenado o ajuste de contas entre grupos concorrentes. Como resultado, a taxa de homicídios (composta de vítimas de conflitos intragangues, clientes não confiáveis e vítimas acidentais) é consideravelmente maior do que nos distritos 'melhores', de classe média do Rio, o que constitui a principal circunstância responsável por tornar a favela, nas mentes da classe média, um sinônimo de violência desenfreada, e que reduz ao mínimo tolerável a comunicação entre regiões pobres e afluentes da cidade, não obstante sua proximidade física.

 

Por último, mas não menos importante, as relações entre policiais e 'companhias que traficam drogas' são, na feliz expressão de Bernardo Sorj (ver seu Confronting Inequality in the Information Society, UNESCO: Brazil 2003), "nem guerra nem paz". Por um lado, como Sorj aponta, "a polícia representa o principal inimigo do tráfico de drogas, assassinando centenas de seus membros e empregados a cada ano". Por outro, todavia, "a polícia participa dos vastos lucros do comércio das drogas, seja pela venda de armas, libertando traficantes e 'chefes' mediante pagamento, ou aceitando subornos para permitir a passagem de cargas". Esse amor e ódio entre os dois principais 'agentes do terror' acrescenta ao estigma a imagem de favelas como teatro de violência genocida; ao mesmo tempo, no entanto, também adiciona a 'funcionalidade', verdadeira indispensabilidade, para as favelas na manutenção do atual sistema de poder brasileiro. Permitam-me acrescentar, a polícia brasileira possui um longo histórico de tratamento brutal contra os pobres do país, alcançando tempos distantes, desde bem antes da relativamente nova proliferação das favelas; estas não deram origem à brutalidade – ela foi somente reforçada sobre diferentes fontes e ganhos corruptos. A brutalidade policial é concebida para ser espetacular, não para ser particularmente bem-sucedida em combater crimes e corrupção e sim para convencer a população de seu poder coercitivo potencial e atemorizá-los à obediência silenciosa.

 

No todo, o registro sangrento e a intensidade da violência que aparenta crescer nas áreas pobres das cidades brasileiras são fatores essencialmente conservadores, calculados para preservar e mesmo 'entranhar' a atual estrutura de dominação sóciopolítica (e, sobretudo, a submissão de suas principais vítimas – os redundantes, os excluídos, os pobres e os miseráveis – não para modificar ou remodelar, muito menos para revisar ou superar o presente modelo de sociedade e distribuição de poder, o que foi regra no objetivo de iniciativas como o Holocausto).

 

(Segunda-feira, segue a resposta de Zigmunt Bauman para: "A população dessas áreas (favelas) está sendo tratada como 'o outro'?")

 

 

Agência Notisa (science journalism – jornalismo científico)

Uma semana dedicada à ciência e à tecnologia

A Agência Espacial Brasileira (AEB) estará presente na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia que será realizada entre os dias 19 e 25 de outubro, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Em um estande de 272 metros quadrados, a AEB apresentará o Programa Espacial Brasileiro aos visitantes com exposições, palestras e filmes.

Este ano, o espaço contará com novidades tecnológicas, como um filme em 3D e jogos eletrônicos interativos. Além disso, haverá um painel iluminado contando a história do Programa Espacial Brasileiro. Quem passar por lá verá, também, vídeos mostrando as aplicações dos satélites e uma parede com os spin offs - expressão inglesa usada para denominar casos nos quais as tecnologias, desenvolvidas no contexto dos programas espaciais, são usadas em atividades fora desse setor - desenvolvidos pelo Programa Espacial Brasileiro. No dia da abertura do evento (19), o astronauta brasileiro, Marcos Pontes, estará presente no estande e fará palestra sobre a Missão Centenário.

O programa AEB Escola vai expor três telescópios - um do Clube de Astronomia, outro da Universidade de Brasília (UnB) e um terceiro, produzido pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Nas noites de quarta-feira a sábado, logo após o anoitecer, serão realizadas observações astronômicas com apoio dos voluntários do Clube de Astronomia de Brasília. Serão oferecidas, ainda, no estande, oficinas sobre Astronomia e Astronáutica voltadas para professores e alunos da educação básica. Durante as oficinas será distribuído aos professores o livreto "Mão na Massa", com propostas de atividades sobre Astronomia, Astronáutica e Mudanças Climáticas que podem ser realizadas com material reaproveitável.

A Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) é comemorada anualmente, no mês de outubro, sob a coordenação do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), com colaboração de diversas entidades vinculadas ao setor. O objetivo é criar e consolidar no Brasil mecanismos que mobilizem a população em torno da importância da Ciência e da Tecnologia, contribuindo ainda para a popularização da ciência de forma integrada.

Confira a participação da AEB na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia:

Palestra com o astronauta brasileiro, Marcos Pontes
Tema: Missão Centenário
Data: 19/10
Hora: 17 horas
Local: Espaço Café Científico


Palestra com o meteorologista Dr. Gilvan Sampaio
Tema: Impacto das Mudanças Climáticas no Brasil
Data: 20/10
Hora: 16 horas
Local: Espaço Café Científico

Palestra: com o diretor de Satélites, Aplicações e Desenvolvimento da Agência Espacial Brasileira, Dr. Thyrso Villela
Tema: O Programa Espacial Brasileiro
Data: 23/10
Hora: 16 horas
Local: Espaço Café Científico


Semana Nacional de Ciência e Tecnologia
Data: 19 a 25 de outubro
Horário de visitação: 8h30 às 19h
Local: Esplanada dos Ministérios
Informações: http://semanact.mct.gov.br/

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Artigo/ Os professores e o vaticínio de Delors


Os professores e o
vaticínio de Delors

               Fabio Arruda Mortara*

Ao emergir de uma das mais graves crises econômicas da história, a presente civilização não pode continuar postergando a solução de seus gargalos, em especial as prioridades sociais. Afinal, não haverá solução definitiva para a humanidade ascender ao círculo virtuoso inserido em uma economia sustentável, num mundo ainda permeado de bolsões de miséria e exclusão. Por isso, educação e leitura são prioridades absolutas. Nada mais tem tamanho poder transformador!
 Assim, temos de nos envergonhar muito com os dados da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), de que, em todo o mundo, cem milhões de crianças continuam fora da escola e quase um bilhão de pessoas são analfabetas. Este flagelo, na América Latina e no Caribe, atinge 39 milhões de adultos. Os números, obviamente, conspiram contra os Objetivos do Milênio na área do ensino, estabelecidos pela ONU para 2015. 
No Brasil, a situação também é grave. Temos um dos piores índices de alfabetização da América Latina, atrás de nações como Bolívia, Suriname e Peru. É o que se pode depreender por meio do cruzamento de dados do último Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) com o ranking do analfabetismo da região. Com índice de 10%, nosso país é o 15º colocado. A relação é liderada por Cuba (taxa de 0,2%). O lanterna é o Haiti (37,9%).
         Corrobora esse complexo cenário, a pesquisa "Juventude e Políticas Sociais no Brasil", realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea): a distorção idade-série é um dos maiores problemas na área educacional brasileira. Quase 34% dos jovens de 15 a 17 anos continuam no Ensino Fundamental, quando deveriam estar cursando o Médio. Na faixa etária de 18 a 24 anos, apenas 12% estão no nível adequado, ou seja, o Ensino Superior. Nessa mesma faixa etária, mais de 30% já abandonaram os estudos. Na população de 25 a 29 anos, apenas 13% seguem estudando, sendo que 7% encontram-se na educação superior.  Acrescente-se ainda a esses vergonhosos indicadores o expressivo número de analfabetos funcionais, ou seja, aqueles que apenas escrevem seus próprios nomes.
         É preciso mudar essa realidade! Educação e leitura são essenciais para que os indivíduos alcancem a cidadania, tenham participação plena em suas comunidades, melhores condições de saúde, engajamento político e melhores oportunidades de trabalho. Enfim, para que se alcance a democracia plena.  Prova disso é a pesquisa internacional Education at a glance (Panorama da Educação), da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). O estudo comprova que, na maioria dos países ricos ou emergentes, a renda dos profissionais é 50% maior para os que concluem o Ensino Superior. No Brasil, esse índice é ainda mais expressivo, excedendo a 100%.
         Portanto, não podemos continuar sonegando o direito inalienável à leitura, que será garantido apenas quando houver  educação universal de excelência. Considerando não haver mais falta de vagas nas escolas públicas, resta aos brasileiros promover a melhora na qualidade do ensino gratuito. Tal conquista somente será possível a partir da valorização e de melhores condições de trabalho para o Magistério. O vislumbre de tal perspectiva é a homenagem mais pertinente a ser feita neste Dia do Professor (15 de outubro).
A sociedade agradece, pois é no reconhecimento aos docentes e na certeza do papel fundamental que desempenham, que se consubstancia o vaticínio de Jacques Delors, ex-presidente da Comissão Européia e coordenador da Comissão Internacional da Unesco sobre Educação para o Século XXI: "O ensino surge como um trunfo indispensável à humanidade na construção dos ideais da paz, da liberdade e da justiça social. Só ele conduzirá a um desenvolvimento mais harmonioso e autêntico, de modo a fazer recuar a pobreza, a exclusão social, as incompreensões, as opressões e as guerras".

*Fabio Arruda Mortara, M.A., MSc., empresário, é presidente da Regional São Paulo da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf).
  

terça-feira, 13 de outubro de 2009

X Prêmio Arte na Escola Cidadã divulga as experiências educativas  vencedoras

Aos que ainda se perguntam para quê se ensina arte na escola,  as experiências educativas vencedoras da décima edição do Prêmio Arte na Escola Cidadã são uma verdadeira aula. Dividida em níveis de ensino – Infantil,  Fundamental I,  Fundamental II,  Médio e Educação de Jovens e Adultos – a décima edição do Prêmio reuniu um conjunto de 548 inscritos em todo o Brasil. Este  é o único prêmio específico da área de Arte em todo o país, portanto estas experiências educativas representam uma amostra nacional significativa do ensino da arte na escola.  E elas apontam para a seriedade e consistência com que os professores vem trabalhando a relação ensino aprendizagem, tratando Arte como área de conhecimento e não equivocadamente como atividade complementar ou indutiva para outros fins.

Dialogando com outras disciplinas ou ainda com temas transversais , as cinco experiências educativas  vencedoras foram selecionadas entre as 53 finalistas em todo o país, justamente por comprovar, na prática, que os conteúdos de  Arte ensinados propiciaram mudanças de atitude e novos conhecimentos entre os alunos.  As questões de cidadania encontradas nos trabalhos do cinco professores selecionados têm uma enorme capacidade mobilizadora, que extrapola os muros da escola construindo, em alguns casos, conhecimento com a comunidade. 

"A qualidade das experiências educativas  inscritas este ano no Prêmio Arte na Escola Cidadã foi excepcional", destaca Denise Grinspum, gerente geral do IAE. "Estamos diante de uma nova geração de professores que enxerga o professor como um dos elos dentro do processo de aprendizagem e que não hesita em reconhecer que é fundamental unir força e  aprender com os alunos", ressalta Mirca Bonano, coordenadora do Prêmio. 

Para assegurar uma avaliação justa nas premiações, o Instituto Arte na Escola realiza a seleção em três  etapas – local, regional e nacional – com comissões julgadoras distintas.  "Esta metodologia assegura o respeito à diversidade regional e o correto entendimento da relevância de cada iniciativa em seu contexto local", explica Mirca. "As comissões são formadas de acordo ao perfil das experiências educativas inscritas e são os coordenadores da Rede Arte na Escola que indicam e elegem professores, pesquisadores e estudiosos da educação em arte para compor estes grupos de avaliadores, que pautados com os critérios de seleção explicitados no regulamento do concurso, elegem os vencedores em cada um dos níveis de educação.

Cada professor responsável pela experiência educativa premiada receberá R$ 7 mil, além de passagem e estadia até Recife (PE), onde acontecerá a cerimônia de premiação em 13 de outubro.  Eles também receberão um documentário em vídeo sobre sua iniciativa que estará disponível no site http://www.artenaescola.org.br/premio/avaliacao_nacional.php  a partir de 15 de outubro, Dia do Professor, junto com o registro da entrega dos prêmios.  A escola onde o projeto foi desenvolvido, por sua vez, receberá um computador e uma máquina fotográfica digital.




Os projetos vencedores

Educação Infantil
Gilmária Ribeiro da Cunha - "Somos brasileiros, somos diferentes"
Salvador – BA


Desenvolvido com crianças de cinco anos no Centro Municipal de Educação Infantil Cid Passos, localizado no Subúrbio Ferroviário de Salvador (BA).  A região abriga famílias de baixa renda, porém com uma herança cultural rica, advinda de raízes africanas e indígenas. E foram essas raízes que o projeto "Somos brasileiros, somos diferentes" se propôs a resgatar e difundir entre as crianças. Para tanto, foram utilizadas as mais variadas praticas artísticas utilizando: tintas, argila, isopor, diversos tipos de papel, roupas, livros de literatura infantil, vídeos e até excursões.   Com elas, as crianças puderam se expressar por meio de diferentes linguagens, construindo sua identidade cultural e assimilando o conceito de multiculturalismo – o que, por sua vez, contribuiu para a o conhecimento da cultura de sua cidade. 

Ensino Fundamental 1
Juliana Carnasciali Muniz - Bla Bla Bla
Osasco - SP

"Bla bla blá" visava levar 480 alunos de quinto ano do ensino fundamental da E.E.I.E.F. Embaixador Assis Chateaubriand, em Osasco (SP)  a perceber seu próprio corpo como veículo expressivo que pode comunicar arte.  A escolha do tema foi feita após consultas com professores de outras disciplinas, que confirmaram seu diagnóstico de que a mente e o corpo dos alunos estavam desconectados, com noções de equilíbrio, percepção corporal e estruturação espacial defasados em relação à sua faixa etária, de nove a dez anos. O caminho escolhido para ampliar o encontro dos alunos com a arte e o corpo foi a experiência poética sonora, que permitiu potencializar nos alunos a capacidade de relacionar corpo,  e espaço dentro da arte contemporânea.  O trabalho de percepção corporal foi amparado por interrelações com as aulas de educação física, ciências, história, geografia e língua portuguesa.
Ensino Fundamental 2
Cecília Luiza Etzberger-"Visitando os mundos da Arte"
Ivoti - RS

O projeto foi desenvolvido na Escola Municipal de Ensino Fundamental 25 de Julho, no município de Ivoti (RS), com um grupo de alunos da sexta série que contava com o envolvimento de suas famílias no processo de aprendizagem.  Este contexto permitiu que arte, história local e história pessoal aflorassem e se cruzassem em um processo transversal, multidisciplinar, que teve a arte como fio condutor.  O ponto de partida foi o estudo da arte medieval, o qual permitiu uma reinterpretação da arquitetura da Igreja Matriz de São Pedro patrimônio cultural local.  Por meio de atividades em sala de aula e visitas ao local, os alunos desenvolveram uma exposição fotográfica que foi exibida não só na escola, mas também em locais públicos da cidade.

Ensino Médio
Flávia Roberta Alves Costa - "Arte: Impressão e Expressão que transforma"
Recife - PE

Desenvolvido com uma turma de 30 estudantes do segundo ano de ensino médio da Escola Mater Christi em Recife (PE), o projeto teve por objetivo favorecer a construção da identidade dos estudantes, reconhecendo e respeitando as diferenças.  Para tanto, ao longo do primeiro semestre do ano passado os alunos puderam experimentar as diversas linguagens artísticas.  No segundo semestre, foi tempo de realizar projetos e ações que concretizassem o potencial criativo dos alunos, individualmente, e do grupo. O entusiasmo com a crítica de arte vivenciada pelos estudantes levou à criação de um espaço para publicação de seus textos, que resultou em uma revista de alunos e professores dedicada ao tema Artes, além de um salão de arte realizado na escola onde todas as suas descobertas artísticas foram socializadas com a comunidade escolar. Houve uma importante apropriação do sentido da arte contemporânea.

Alfabetização e Educação de Jovens e Adultos - EJA
Jacson Silva Matos - "Cavalo Nóia"
São Paulo - SP


"Cavalo Nóia" é um projeto cultural desenvolvido na Escola Estadual Prof. Lauro Pereira Travassos, localizada em Vila Missionária, bairro constituído irregularmente em uma área de manancial na periferia da Zona Sul de São Paulo.  Seu objetivo é atrair de volta à escola os alunos, afastados pelos relatos de violência que comprometiam a imagem da escola, e resgatar sua auto-estima e orgulho de suas raízes, uma vez que a comunidade é formada em grande parte por êxodos do norte e nordeste do país.   

Dirigido a adultos, ou seja, donas de casa, trabalhadores e terceira idade, além de jovens que queriam dar continuidade aos estudos interrompidos, o projeto parte da junção das manifestações artístico-culturais de suas origens: boi-bumbá, reisado, cavalo-marinho, carnaval de rua, folguedos, São João, quermesse, maracatus, samba de roda, capoeira e jongos. Juntas, elas formam o evento de final de ano da escola, cuja elaboração é distribuída ao longo dos bimestres em atividades educativas e preparatórias.  As atividades reúnem inúmeros voluntários e parceiros da comunidade (comércio local, igreja) e resultaram em um evento que reuniu 3,5 mil pessoas em sua última edição, em 2008. O sucesso do trabalho com o EJA vem ampliando significativamente a participação de outras pessoas ano já se apresentando como uma importante festa cultural da região.

No dia do professor, todos deverão ficar nus...

O Conselho Deliberativo da Udemo decidiu que, para mostrar a nudez deste Governo com relação à educação, ou seja, a sua total falta de propostas para a escola pública e seus profissionais, nada melhor do que instituir um "Dia do Nu Pedagógico", na rede. Foi escolhido o Dia do Professor, dia 15 de outubro, para esse ato.
Nesse dia, os funcionários, professores, diretores, supervisores e simpatizantes deverão ficar nus, na frente da Secretaria da Educação, em protesto pela situação das escolas públicas estaduais.

www.udemo.org.br


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domingo, 11 de outubro de 2009

Transição


Rembrandt


TRANSIÇÃO


Esta aparência incerta
de meus passos
estrandando histórias
e dengos
às vezes, em salto
às vezes, sobressalto
voa
para cima
ou para baixo
em rumo concomitante
de chapéus e sapatos
infernos e céus

-um corpo que se enterra
uma alma que se liberta
aberturas e obscurecimentos
de véus

sábado, 10 de outubro de 2009

"VERTIGEM" MOSTRA DE ARTE NA FAAP: OSGÊMEOS

A nova mostra "Vertigem" dos artistas plásticos OSGEMEOS estará em cartaz no Museu de Arte Brasileira – MAB – na FAAP, em São Paulo, de 25 de outubro a 13 de dezembro deste ano.


Além dos trabalhos apresentados pela dupla de artistas, Gustavo e Otávio Pandolfo, em Curitiba e no Rio de Janeiro, a exposição contará com obras novas, destinadas especialmente para este evento.


"A mostra promove o melhor diálogo do graffite com as artes plásticas em instalações; pinturas, esculturas e objetos sonoros.", segundo informações à imprensa.


Impossível precisar a quantidade e caracteríticas dessas obras, o que é um dado fundamental do caráter dos artistas, sempre voltados para o inesperado; capazes de criar, surpreender e inventar, de forma impressionante. Mas, certamente, quem visitar a mostra estará cercado por todos os lados pelo trabalho d'OSGEMEOS.


São obras que expressam o olhar sensível desses dois artistas voltados sobre o cotidiano brasileiro; desde a periferia urbana ao folclore nordestino. Traduzidas em cores alegres, personagens melancólicos e em cenários surrealistas. Os desenhos de figuras com a pele amarelada, narizes largos e olhos espaçados caracterizam-se por um lirismo ingênuo.


Vale lembrar que a exposição tem o patrocínio do Deutsche Bank.




Perfil dos artistas:

 

OSGEMEOS, Gustavo e Otávio Pandolfo (paulistanos, de 1974) começaram sua trajetória artística na street art, em 1980, retratando as culturas regionais do Brasil, nos muros de São Paulo.


Em 1993 deram início a participações coletivas. Em seis anos passaram a fazer parte do cenário internacional da arte urbana e contemporânea.


Em 2007 pintaram um dos castelos mais famosos da Escócia: o histórico castelo de Kelburn, em Ayrshire.


No ano seguinte, pintaram a fachada do prédio da Tate Modern, de Londres, grande centro cultural da arte contemporânea internacional.


Em junho deste ano, coloriram o grande muro pintado por Keith Haring (1982), em New York. Segundo declarou Roberta Smith no New York Times: "Um mural fantástico e épico, um sonho de felicidade traçado à melancolia; e realismo mágico."

 

NAIR LÚCIA DE BRITTO



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