Concursado, há tempos sou policial civil... Hoje, não sei se teria capacidade para passar neste último concurso aberto para Escrivães e Investigadores, apesar do nível de escolaridade exigida continuar o mesmo: 2º grau completo. Confesso que, ao ler o Edital, cheguei à conclusão que somente alguém formado em Direito (nível universitário) poderia fazer frente a tantas exigências. Lembro-me de que quando prestei o concurso, a matéria exigida versava sobre o que se aprende no 2º grau. Atualmente, percebi que o pretendente ao cargo deve ter amplo conhecimento de tudo que me foi ensinado na Academia de Polícia e mais, muito mais... (direito constitucional, inclusive).
Diante disso, pergunto-me a todo instante o que irá aprender na Academia aquele que conseguir provar que é um gênio, pois, apenas com o diploma do 2º grau, apresentou alto conhecimento de Direito, Português, Matemática, etc, etc... (além de preparo físico e psicológico). Eletricidade? Não, acredito que não. Com tanto conhecimento, certamente, ele também entenderá de eletricidade. Ah! Já sei... Ele irá aprender a atender prazerosa e atenciosamente à população, apesar do cansaço provocado pelas inúmeras horas insones e pela preocupação com o sustento da família. (Ele terá que arrumar um “bico”). Ele irá aprender que só ingressou nessa carreira por amor à profissão, pois o salário ofertado, “pasmem”... é de R$ 1.700,00, incluindo gratificações. E, finalmente, a “duras penas”, irá aprender também que tudo que sabe e estudou sobre Direito Constitucional, não se aplica a ele, pessoa comum.
A essa altura, antes mesmo de assumir o cargo, já deve estar pensando que tivesse ele um diploma universitário, estaria ingressando na Polícia Federal, onde o salário pago é bem maior e o currículo exigido é igual, se não for menor. O que o conforta é saber que seus superiores, os Delegados, apesar de terem concluído a faculdade de Direito, também não recebem muito mais que ele. Porém, ainda acredita que vale a pena pois, afinal, irá fazer o que sempre sonhou: servir a coletividade, lutando pela manutenção da ordem e da justiça. Qual o quê... Com o tempo, ele perceberá que de nada adianta suas boas intenções diante da estrutura montada pela administração do sistema, pois a política implantada visa somente servir aos governantes, o que sempre conseguem, através da nomeação de determinados servidores para assumirem cargos estratégicos, o que, aliás, mudam a seu “bel-prazer”, se estes não apresentarem política administrativa compatível com os ditames dos poderosos.
A partir daí, assim como eu, sentindo-se completamente desiludido e manipulado, ele começará a se importar com seu salário, pretendendo, até, ora vejam, lutar para ser reconhecido em seu trabalho, esperando que essa valorização seja demonstrada, ao menos, em seu holerite mensal. Nossos sindicalistas, bem que tentam consegui-la... No entanto, acabam sempre esbarrando nos já citados jogos políticos, orquestrados pelos mandantes do sistema.
Uma das várias tentativas de nossas Associações de Classe para alavancar um aumento salarial para a categoria, na minha opinião, foi baseada na alteração da exigência de escolaridade quando da prestação dos concursos públicos, pois, segundo a Constituição, a composição dos proventos recebidos e promoções, são avaliados em conformidade com esse item. No entanto, quando essa exigência foi modificada para o exercício do cargo de Agente Policial, com a criação da nova lei, nada mudou: seus salários continuaram os mesmos, inconstitucionalmente, sem qualquer alteração. Tanto que, ao notar no que tal ato implicaria, o Sr. Governador vetou a promulgação desta mesma lei, já aprovada pela Assembléia Legislativa, a qual favorecia aos Investigadores e Escrivães, que passariam a ter direito a perceber mais, em decorrência da exigência da formação em curso universitário. Pelo visto, acharam bem mais fácil incrementar o currículo do Edital do concurso, conservando a escolaridade e o salário.
E por falar em salário e na obstinação de nosso Governo em alegar quer não há verbas para reajustá-lo (e afirmo, reajustá-lo e não aumentá-lo), resolvi analisá-lo para tentar entender se sou eu ou ele quem gasta demais ou o administra inadequadamente.
Percebo mensalmente, em média, R$ 2.400,00, sendo que meu salário real e nominal versa em torno de R$ 650,00, recebendo este uma alteração para R$ 1.300,00 (100%) a título de RETP (Regime Escravo de Trabalho Policial) Ihh!!! Será que é isso que essa sigla quer dizer??? Bem, não tenho certeza... Porém, sei que ela dá direito a meus empregadores a não me pagarem horas extras, adicionais noturnos ou qualquer outro benefício a que possa fazer jus, segundo as leis trabalhistas normais em vigor, permitindo que me convoquem a trabalhar diuturnamente, se assim julgarem necessário ou conveniente.
Afora isso, também faz parte de meu salário o Adicional de Periculosidade e Insalubridade, na base de 80% do salário mínimo, mesmo existindo lei específica que determina que este Adicional deva ser calculado sobre 40% do salário base da categoria, pois, pelo que reza a Constituição, (mais uma vez a Constituição), o salário mínimo não pode, em hipótese alguma, servir como vínculo indexador para qualquer fim, tanto que, nesse sentido, já há “ganho” de causa no TSJ, sendo que existem atualmente alguns poucos policiais recebendo pelo novo índice.
Outro componente de meus proventos, este, acredito que na opinião geral, o mais estapafúrdio de todos, é o ALE (Adicional de Local de Exercício). Absurdo dos absurdos, o Governo o usa como parâmetro para conceder aos policiais gratificações salariais (o que considera aumento ou reajuste, sei lá...) sem vinculá-lo a qualquer índice referencial, percentual ou lógico, servindo, ao longo dos anos, como “cala boca” toda vez que a categoria pretendeu reivindicar revisão salarial. Esse subterfúgio foi criado há muito tempo, com o objetivo evidente de burlar novamente a Constituição (coitada da Carta Magna!!!), não repassando aos inativos (aposentados e pensionistas) quaisquer valores que os policiais na ativa viessem obter a título de salário. Desse modo, não cairiam totalmente na ilegalidade, já que não haveria reajustes, mas também não haveria repasse, evitando onerar os cofres públicos, principalmente, o do Fundo de Pensões (IPESP). Para justificar a pantomima, promulgou-se tal lei, fixando-se, ora vejam, proventos diferenciados para iguais funções policiais, escalonando-os pelo número de população existente no local de exercício do funcionário. Salientaram, à época, que o objetivo era incentivar o policial a trabalhar nas grandes cidades (maior remuneração), porque ali o volume de ocorrências era maior e, consequentemente, a criminalidade. É claro que se esqueceram de contabilizar que em uma cidade considerada grande (acima de 500.000 habitantes) são fixados, normalmente, o dobro ou o triplo de servidores do que daqueles existentes em cidades menores, dependendo da necessidade, o que ocasiona, com certeza, igual número de afazeres para todos. Também não existe paridade entre o número de população e criminalidade, pois existem cidades onde, estatisticamente, os índices de violência são altíssimos, como em Diadema, por exemplo, em contrapartida ao número de residentes (Média de 400.000 habitantes). E, por fim, por incrível que possa parecer, não conseguiram lembrar que não é o policial quem escolhe o local onde irá exercer sua atividade, sendo este, simplesmente, designado pela cúpula, independente da vontade do servidor. Pior ainda no caso dos Delegados, visto que, para eles, não são respeitados nem sequer determinados limites separadores (DECAP, DEMACRO, DEINTERS), podendo ser obrigados a servir em qualquer município do Estado, determinado pela administração, seja qual for o local de sua residência. Creio que torna-se desnecessário acrescentar que quem foi designado para trabalhar em uma cidade pequena, dificilmente irá conseguir permutar com alguém fixado em uma cidade considerada grande, pois ali, não só o policial é melhor remunerado, como melhores são as condições de trabalho. Portanto, fica o funcionário obrigado a resignar-se ganhar pior que seu colega, mesmo exercendo função idêntica.
Quanto a outros valores creditados em meu holerite, plagiando um personagem de TV, “prefiro não comentar”. Somente citá-los já é interessante:
- Adicional de Tempo de Serviço (5% sobre o valor do salário referencial (R$ 1.300,00) a cada qüinqüênio, não sendo a ele incorporado para fins de reajuste.
- Ajuda de Custo Alimentação para Carreira Policial (Em média R$ 15,00). O que será que isso significa???
- Auxílio Transporte (Em Média R$ 80,00). Seu cálculo é realizado seguindo mais ou menos os ditames das empresas privadas.
Bom, discriminada item por item a composição de minha remuneração, faço agora um balanço de minhas despesas, dando ênfase ao valor que retorna aos cofres públicos, direta ou indiretamente. São gastos relatados que tem por base uma família de 3 pessoas (eu e 2 dependentes).
- Encargos e Impostos já descontados na fonte pagadora: Em média 19%, incluindo IPESP (Aposentadoria), IRF (Imposto de Renda) e IAMSPE (Assistência Médica) e Associação de Classe, perfazendo R$ 450,00.
- Imposto pago mensalmente à Prefeitura a título de IPTU – R$ 50,00.
- Impostos e Encargos Financeiros declarados, embutidos nas Contas de Água, Luz e Telefone – 34% do valor do Consumo (25% são de ICM), equivalente a R$ 102,00 de um total médio de R$ 300,00.
- Impostos e encargos embutidos nos preços dos produtos de primeira necessidade (alimentação e higiene) – 40% (Incluem também IPI e Enc. Trabalhistas) de R$ 500,00, o que representa R$ 200,00.
- Convênio Médico: 20% de meus vencimentos líquido (R$ 400,00), o que também deve ser visto como uma Taxa complementar, pois, mesmo sendo a Saúde obrigação do Governo, descontada em folha, é público e notório que o Hospital do Servidor (que eu saiba, único no Estado), não consegue atender a demanda de tantos funcionários a ele agregados.
- Transporte: Em média R$ 100,00 por mês. Tenho sorte, pois trabalho perto de minha casa; porém, sei que a grande maioria de meus colegas policiais gasta, no mínimo, o dobro que isso, mesmo recebendo igual valor referente ao auxílio transporte.
Ao final desses pagamentos, sobram-me R$ 600,00, com os quais tenho que fazer frente as demais despesas, como Habitação (Aluguel? Prestação da Casa Própria??), Educação (Material Escolar? Escola Particular?) e Segurança (Guarda Noturno? Câmeras??), entre outras. E digo entre outras porque, infelizmente, tenho o hábito de fumar, adquirido durante o tempo em que o Sistema permitia à Mídia incentivá-lo através da propaganda (Hollywood, o Sucesso), talvez vislumbrando uma maior arrecadação de impostos, pouco se importando com a saúde do cidadão. Entretanto, sei que não preciso mais me preocupar com isso, pois, nosso governador, mesmo com tantos problemas mais sérios para resolver, encaminhou, em caráter de urgência, à Assembléia, projeto de lei proibindo fumar em qualquer estabelecimento fechado, até aqueles pertencentes à empresas privadas e, usando de determinados artifícios, está conseguindo sancioná-lo, apesar da clara inconstitucionalidade. (Meu Deus!!! Aonde vamos parar??? Barbaridade!!!).
Mas, vícios à parte, voltando ao assunto, lembrei-me de que somos nós, servidores, os responsáveis pelo pagamento de nosso salário, conforme palavras de um amigo meu, o que confirmei ao realizar esses cálculos, pois verifiquei que, por baixo, 50% do que recebo retornam aos cofres públicos, de uma forma ou de outra. Sendo assim, mereço reivindicar revisão salarial e a Administração tem obrigação de estudá-la, conhecendo a fundo os problemas da categoria e a composição dos seus proventos, analisando suas reais necessidades e, cumprindo as leis estabelecidas, apresentar proposta viável, que não se prenda apenas a números e porcentagens de Orçamento, pois quando da Previsão Anual esses valores já deviam ter sido providos. Aliás, essa falha orçamentária, parece-me, vem acontecendo desde 1995, data de nosso último reajuste salarial. Quiçá, aumento salarial...
Acredito que, assim como eu, todos os policiais estão cansados da “cortina de fumaça” (Ihh!!! Lembrei do Governador) que os Srs. Legisladores teimam em “jogar em nossos olhos”, através da manipulação de porcentagens e valores, como se não tivéssemos capacidade de fazer contas. E, com o intuito de provar o que digo, apresentarei agora os cálculos que fiz acima, dando a provável interpretação governamental sobre meu orçamento:
- Salário Base – R$ 2.400,00, equivalente a 100% da remuneração;
- Encargos descontados na fonte – R$ 450,00, equivalente a 18,75%, sobrando R$ 1.950,00, ou seja, 81,25% do valor inicial;
- IPTU a ser pago – R$ 50,00, equivalente a 2,56% dos R$ 1.950,00 restantes, sobrando 78,69% do valor inicial;
- Contas de Água, Luz, Telefone – R$ 300,00, equivalente a 15,78% dos R$ 1.900,00 restantes, sobrando 62,91% do valor inicial;
- Gastos com Alimentação/Higiene – R$ 500,00, equivalente a 31,25% dos R$ 1.600,00 restantes, sobrando 31,66% do valor inicial;
- Convênio Médico – R$ 400,00, equivalente a 36,36% dos R$ 1.100,00 restantes, sobrando... (Ops!!! Faltando 4,7%!!!)
- Transporte – R$ 100,00, equivalente a 14,28% dos R$ 700,00 restantes, faltando... 18,98%.
Meu Deus!!! O que farei para arcar com minhas outras despesas com habitação, educação e segurança??? Ah!!! É simples...
(AVISO A MEUS CREDORES: SEGUNDO MEU LEVANTAMENTO ORÇAMENTÁRIO, LAMENTO, MAS NÃO TEREI RECURSOS PARA HONRAR MEUS COMPROMISSOS, NEM VERBA PARA PAGAR MEUS DÉBITOS. AGRADEÇO A COMPREENSÃO, MAS VISTO QUE NADA POSSO FAZER, “VIREM-SE”... OU “PROCUREM A POLÍCIA”... OBRIGADO).
Agora, se vocês leitores, se houver algum, pensam que estou brincando, analisem comigo a proposta feita pelo Governo à categoria, finalmente, depois de muitos dias de greve e “muita luta”, literalmente falando.
- Reajuste Salarial de 6,5% a partir de 2009 (Janeiro ou Março?) e 6,5% em 2010.
Pois bem, façamos as contas: Meu salário, assim como o da grande maioria dos policiais, gira em torno de R$ 1.300,00, o que implica dizer que irei receber R$ 84,50 de reajuste, sendo abatido deste valor R$ 4,22 (IRF), R$ 1,69 (IAMSPE) e R$ 9,29 (IPESP), a título de encargos, restando-me, em média, R$ 69,30 de valor real. (Pasmem, Srs... Depois de 14 anos sem reajuste salarial, irei receber quase R$ 70,00 de aumento.) Aumento??? Qual o quê... Muitos perderão, em média R$ 10,00 por mês, ou mais... Como??? Calma, eu explico:
Há muito tempo, o governo instituiu, através de decreto, o vale alimentação para as diversas carreiras de servidores públicos, somente para aqueles que tenham vencimentos líquido abaixo de 140 UFESP, valor limite para ser considerado mal pago. Os outros não precisam porque, evidentemente, ou não comem ou são muito bem remunerados e podem arcar com a despesa de sua refeição diária, é claro. Esse valor, para a carreira policial é de...”Pasmem... (Gostei dessa palavra, Sr. Barroz Munhoz) R$ 4,00 diários por dia útil, desde que comecei a trabalhar na Instituição, há tantos e tantos anos atrás, sem qualquer tipo de revisão. Acontece que, somado ao nosso salário o grandioso reajuste ofertado, a maior parte dos policiais atingirão o limite imposto pelo governo, sendo considerados “muito bem pagos” e perderão o direito ao “vale coxinha” (como é conhecido no meio) de R$ 80,00 ao mês. Será que o Sr. Sidney Beraldo sabia disso quando propôs o aumento???
- Extinção da 5ª Classe – Sem comentários. De nada adianta ser promovido, se a vantagem não for acompanhada da devida valorização. Conheço policiais que possuem quase 16 anos de profissão, ainda estão na 3ª Classe e recebem um pouco mais que eu, pagando mais encargos e tendo menos benefícios. Depois dizem que esta é uma atividade para seguir carreira. Não entendo...
- Aposentadoria aos 30 anos de serviço: Lei que já deveria ter sido aprovada há tempos, pois é de conhecimento de todos que o serviço policial exige aposentadoria especial.
- Incorporação gradativa do valor do ALE aos salários, até o índice máximo de 50% de seu valor: Qual deles? Para ser honesto, ainda não tenho opinião formada sobre o assunto.
Gostaria de encerrar esse desabafo, esclarecendo que ele não é dirigido a meus colegas policiais civis, pois tenho certeza de que todos que estão lutando pela valorização da carreira conhecem os dados aqui apresentados, decor e salteado.
Ele é dirigido à população que, ludibriada pela imprensa, não consegue convencer-se de que nossa reivindicação é justa. Em nossa defesa, quero lembrar ao povo que qualquer Delegacia é conhecida como o “Pronto Socorro das Desgraças”, a quem todos recorrem mesmo quando o caso não requer intervenção de cunho penal. Sei também que nós, policiais, somos conhecidos como “as Genis” da Instituição, mas tenho absoluta convicção de que quando se virem em apuros e necessitarem de ajuda, abrirão mão de suas ressalvas, pedindo auxílio e contando com ele sob quaisquer circunstâncias. (Não é verdade, Sr. Governador???)
Ele é dirigido também aos Constituintes deste Estado e, especialmente, ao Sr. Líder do Governo na Assembléia, que teve a infelicidade de tentar justificar o descumprimento da data do dissídio da categoria pelo Sr. Governador, alegando que nosso Presidente a cumpriu, mas apresentou lei concedendo apenas 1% de reajuste a seus servidores. Enfatizo aqui, Sr. Deputado, que 1% de R$ 7.000,00 (remuneração média de um policial federal) é R$ 70,00 e que essa importância incorporada ao salário real, servirá como base cumulativa para os próximos 1% do ano seguinte, e assim consequentemente, perfazendo um total de mais de 15% ao longo de 14 anos, tempo que não temos reajuste salarial. Gratificação, Sr. Deputado, não é salário, que o digam nossos pobres aposentados e pensionistas.
BASTA DE “FUMAÇA”... NÃO QUEREMOS E NÃO PODEMOS MAIS SER “PALHAÇOS’...
Assinado,
UM SIMPLES POLICIAL.
Espaço de discussão da revista virtual Partes (www.partes.com.br) Entre e deixe seu recado
domingo, 2 de novembro de 2008
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
Reforma Luterana
.jpg)
Em 1517, Lutero lançou as 95 teses da Igreja Protestante
Nessa sexta-feira (31/10) comemora-se a Reforma Luterana, marco de criação do movimento protestante no mundo. Em 31 de outubro de 1517 foram pregadas as 95 Teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, com um convite aberto ao debate sobre elas, fato que é considerado como o início da Reforma Protestante. As teses abominavam o paganismo na Igreja e pediam um debate teológico sobre as indulgências. As 95 Teses foram logo transcritas para o alemão e amplamente impressas, sendo que após um mês já haviam se espalhado por todo continente Europeu. Leia abaixo a entrevista com o coordenador do curso de Teologia da ULBRA, Leopoldo Heimann:
ACS/Imprensa - Quais foram as causas da reforma luterana?
Leopoldo Heimann - Muitas. Destaco apenas as três que considero as maiores:
A valorização da Tradição Eclesiástica acima da Sagrada Escritura, que é a inspirada e infalível Palavra de Deus. A corrupção espiritual e moral do clero, incluindo padres, bispos e o próprio papa da época e a venda de indulgência, isto é, a compra a dinheiro do perdão dos pecados e da salvação eterna. Um escritor católico da época disse: “A igreja precisava de uma reforma dos pés à cabeça”. Neste contexto entra Lutero.
ACS/Imprensa - Que legado ela deixou para os dias de hoje?
Leopoldo Heimann - O maior legado é doutrinário, ainda válido e pregado pela Igreja Luterana em nossos dias: os chamados “três solas”, em língua latina.
A Sola Scriptura, isto é, somente a Escritura como fonte e norma da doutrina cristã;
A Sola Gratia, isto é, somente por graça de Deus o pecador pode ser salvo;
A Sola Fide, isto é, somente pela fé em Cristo (e não por obras ou méritos humanos) o pecador pode ser salvo.
ACS/Imprensa - Hoje, o que diferencia a Igreja Luterana da Católica, por exemplo?
Leopoldo Heimann - Apesar das divergências, é próprio lembrar que a “Igreja Católica” e a “Igreja Luterana” são igrejas cristãs. Também é preciso frisar que há convergência e unanimidade em muitas doutrinas e em muitas colocações morais e éticas. Diferenças? Apesar da Igreja Católica ser diferente e melhor hoje do que no século XVI, ainda persistem discrepâncias doutrinárias como estas: equivalência de Tradição e Escritura, o ensino da salvação por obras, Maria como medianeira, Santa Ceia, purgatório, infalibilidade do Papa, etc. Contudo, o diálogo ecumênico ou interreligioso entre as duas igrejas é bem “mais humano, harmonioso e teológico” hoje do que nos tempos de Lutero.
ACS/Imprensa - Na sua opinião, independente de que credo seja, as religiões estão mais flexíveis em relação aos seus dogmas?
Leopoldo Heimann - Não são mais flexíveis. As grandes religiões universais não-cristãs continuam irredutíveis em seu fanatismo (até à morte). A mídia o comprova. Determinadas “seitas novas”, que se proliferam assustadoramente, manifestam desprezo, ódio e “fanatismo cego” em relação às outras igrejas ou religiões. São “cegos guiando cegos”.
ACS/Imprensa - Haveria hoje, condições/necessidade para uma nova reforma?
Leopoldo Heimann - A premissa sóbria e maior sobre esta questão, os teólogos manifestam no principio latino: “Ecclesia semper reformanda est”, isto é, a “igreja sempre é reformável”. Assim será até à parusia de Cristo. Na Igreja Luterana não há necessidade de mudanças doutrinárias, mas há necessidade de reformas, adequações e pronunciamentos precisos sobre questões de ordem moral e ética. Inclusive na própria pregação do evangelho neste agitado mundo pluralista e instável do século XXI. Pensando no compromisso do Curso de Teologia da ULBRA, na Igreja Luterana, nas religiões universais, nos professores, pregadores e alunos é oportuno abrir a Sagrada Escritura e lembrar a recomendação de Lutero, o Reformador: Continuem firmes em ler, em ensinar, em aprender, em meditar e em refletir!
Nelson Dutra
Jornalista - RPMT 11564
ACS Canoas - Imprensa Ulbra
(51) 3477-9117
www.ulbra.br
Sérgio Mamberti é o escolhido para assumir a presidência da Funarte
O ministro Juca Ferreira anunciou o nome de Sérgio Mamberti como o novo presidente da Fundação Nacional de Artes (Funarte) durante entrevista coletiva realizada na tarde desta sexta-feira (31 de outubro), no auditório Guimarães Rosa do Ministério da Cultura, em Brasília. O ministro destacou o papel de Mamberti frente à Secretaria da Identidade e da Diversificação Cultural (SID/MinC). “O Sérgio é um nome que dispensa apresentações, é uma pessoa da área e precisamos de um presidente com muita legitimidade para prosseguir a política de diálogo com artistas e produtores culturais e revitalização dessa instituição nesses dois últimos anos que faltam”.
Desde 2004 como titular da SID/MinC, Mamberti falou que estava com o “friozinho na barriga” característico das grandes estréias. “É uma responsabilidade muita grande, pois é uma grande instituição e é preciso fortalecê-la, torná-la nacional”, disse.
Juca Ferreira adiantou que o colegiado de diretores será fortalecido no processo de gestão da Funarte. Nesse sentido, os diretores de Arte Visuais, de Música, de Artes Cênicas precisam ter uma importância que não vêm tendo na visão do ministro. “A Funarte não pode ter uma estrutura presidencialista, piramidal, mas sim colegiada, pois cada setor possui sua complexidade e os diretores precisam ganhar destaque na condução e criação dessas políticas”, esclareceu.
Um outro ponto destacado pelo ministro é a criação de um conselho nos moldes da Fundação Cultural Palmares e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Um conselho, segundo ele, composto por pessoas de conhecimento notório nas áreas de atuação da Funarte, que terá o papel de aconselhamento, fiscalização e aprovação dos projetos relacionados com a instituição.
Sérgio Mamberti
Paulista, nascido em 22 de setembro de 1939 na cidade de Santos, Sérgio Mamberti é reconhecido como defensor da cultura nacional, com destacada atuação nos meios artístico e político. Devido à sua trajetória de vida pública, como militante da área cultural, em 2003, o então ministro Gilberto Gil convidou-o para compor o quadro de dirigentes do Ministério da Cultura, como titular da Secretaria de Artes Cênicas.
Em 2004, na reestruturação do MinC, foi criada a Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural, para promover o diálogo e a inclusão de setores historicamente excluídos das políticas públicas de cultura no país. As culturas populares, indígenas e ciganas, assim como a diversidade sexual, passaram a ser contempladas com ações, programas e projetos voltados especificamente para esses segmentos. A secretaria foi assumida por Mamberti.
Consagrado ator, diretor e produtor, iniciou sua carreira artística atuando na peça Revellation, de Tristan Bernard, apresentada em 1956, na Aliança Francesa, em Santos. Em 1961, formou-se na Escola de Arte Dramática (EAD), em São Paulo, e no ano seguinte fez sua estréia profissional em Antígone América, de Carlos Henrique Escobar.
Mamberti fez parte do elenco de mais de 70 espetáculos teatrais, 38 filmes e 26 telenovelas, além de inúmeras participações em eventos culturais e outros programas televisivos. Também assinou a direção de peças de teatro, shows musicais, espetáculos de dança e a produção de eventos artístico-culturais. Ao longo dos seus 50 anos de profissão, abriu espaço em sua vida artística para participar de movimentos socioculturais, em sua luta em prol da democratização da cultura no Brasil.
Desde 2004 como titular da SID/MinC, Mamberti falou que estava com o “friozinho na barriga” característico das grandes estréias. “É uma responsabilidade muita grande, pois é uma grande instituição e é preciso fortalecê-la, torná-la nacional”, disse.
Juca Ferreira adiantou que o colegiado de diretores será fortalecido no processo de gestão da Funarte. Nesse sentido, os diretores de Arte Visuais, de Música, de Artes Cênicas precisam ter uma importância que não vêm tendo na visão do ministro. “A Funarte não pode ter uma estrutura presidencialista, piramidal, mas sim colegiada, pois cada setor possui sua complexidade e os diretores precisam ganhar destaque na condução e criação dessas políticas”, esclareceu.
Um outro ponto destacado pelo ministro é a criação de um conselho nos moldes da Fundação Cultural Palmares e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Um conselho, segundo ele, composto por pessoas de conhecimento notório nas áreas de atuação da Funarte, que terá o papel de aconselhamento, fiscalização e aprovação dos projetos relacionados com a instituição.
Sérgio Mamberti
Paulista, nascido em 22 de setembro de 1939 na cidade de Santos, Sérgio Mamberti é reconhecido como defensor da cultura nacional, com destacada atuação nos meios artístico e político. Devido à sua trajetória de vida pública, como militante da área cultural, em 2003, o então ministro Gilberto Gil convidou-o para compor o quadro de dirigentes do Ministério da Cultura, como titular da Secretaria de Artes Cênicas.
Em 2004, na reestruturação do MinC, foi criada a Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural, para promover o diálogo e a inclusão de setores historicamente excluídos das políticas públicas de cultura no país. As culturas populares, indígenas e ciganas, assim como a diversidade sexual, passaram a ser contempladas com ações, programas e projetos voltados especificamente para esses segmentos. A secretaria foi assumida por Mamberti.
Consagrado ator, diretor e produtor, iniciou sua carreira artística atuando na peça Revellation, de Tristan Bernard, apresentada em 1956, na Aliança Francesa, em Santos. Em 1961, formou-se na Escola de Arte Dramática (EAD), em São Paulo, e no ano seguinte fez sua estréia profissional em Antígone América, de Carlos Henrique Escobar.
Mamberti fez parte do elenco de mais de 70 espetáculos teatrais, 38 filmes e 26 telenovelas, além de inúmeras participações em eventos culturais e outros programas televisivos. Também assinou a direção de peças de teatro, shows musicais, espetáculos de dança e a produção de eventos artístico-culturais. Ao longo dos seus 50 anos de profissão, abriu espaço em sua vida artística para participar de movimentos socioculturais, em sua luta em prol da democratização da cultura no Brasil.
I Colóquio Internacional de Estudos Africanos
Debate com moçambicanos é destaque do I Colóquio Internacional de Estudos Africanos, que acontece em São Carlos
Objetivo do evento é ampliar as relações entre pensamento brasileiro e expressões culturais da África
Nos dias 12 e 13 de novembro acontece, na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), o I Colóquio Internacional de Estudos Africanos "Brasil e África: diálogos necessários". Um dos destaques do evento é a participação, dentre os debatedores, de um professor e dois escritores de Moçambique. O Colóquio consistirá de mesas-redondas, apresentação de trabalhos de alunos de graduação e roda de poesia, com leitura de textos e sarau literário.
O objetivo do encontro é ampliar as relações entre o pensamento crítico brasileiro e as manifestações culturais e literárias dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP). A primeira edição do evento terá como destaque as expressões culturais de Moçambique e contará com a presença de pesquisadores e professores da UFSCar e Unesp. A proposta é que este diálogo entre Brasil e África aconteça todos os anos. O destaque da programação é a mesa-redonda "Aspectos das Literaturas Africanas de Língua Portuguesa", que contará com três debatedores de Moçambique. O primeiro convidado é o professor Luis Abel Cezerilo, da Universidade Eduardo Mondlane, de Moçambique. Ele possui graduação em Sociologia pela Universidade de Évora, Portugal, e doutorado em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa pela USP. Atualmente, desenvolve seu pós-doutorado na Unesp de Araraquara.
Ao lado de Cezerilo estará a escritora Paulina Chiziane, a primeira mulher a escrever e publicar um romance em Moçambique. Ela cresceu nos subúrbios da cidade de Maputo e iniciou o estudo de Lingüística na Universidade Eduardo Mondlane, sem, porém, ter concluído o curso. Em 1984 deu início à sua atividade literária com a publicação de contos na imprensa moçambicana. O título do seu primeiro livro é "Balada de Amor ao Vento", editado em 1990.
O terceiro convidado da mesa-redonda é o escritor Luis Carlos Patraquim, considerado uma das principais vozes poéticas moçambicanas da atualidade. Ele foi colaborador do jornal A Voz de Moçambique nos anos 70, atuou como membro do núcleo fundador da Agência de Informação de Moçambique (AIM) e do Instituto Nacional de Cinema (INC), onde se manteve, de 1977 a 1986, como roteirista e redator principal do jornal cinematográfico Kuxa Kanema. Desde 1986, reside em Portugal e colabora na imprensa moçambicana e portuguesa, em roteiros para cinema e textos para teatro. A mesa contará também com a participação do professor Valter Roberto Silvério, chefe do Departamento de Sociologia da UFSCar e coordenador do NEAB.
O Colóquio está sendo organizado pelo Departamento de Letras (DL) da UFSCar, em parceria com o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB) da Instituição e com o Departamento de Literatura e o Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários da Unesp de Araraquara.
As inscrições para participação no Colóquio devem ser feitas pela Internet, em www.letras.ufscar.br/ciea, onde está disponível o formulário de inscrição e o programa completo do evento.
Objetivo do evento é ampliar as relações entre pensamento brasileiro e expressões culturais da África
Nos dias 12 e 13 de novembro acontece, na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), o I Colóquio Internacional de Estudos Africanos "Brasil e África: diálogos necessários". Um dos destaques do evento é a participação, dentre os debatedores, de um professor e dois escritores de Moçambique. O Colóquio consistirá de mesas-redondas, apresentação de trabalhos de alunos de graduação e roda de poesia, com leitura de textos e sarau literário.
O objetivo do encontro é ampliar as relações entre o pensamento crítico brasileiro e as manifestações culturais e literárias dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP). A primeira edição do evento terá como destaque as expressões culturais de Moçambique e contará com a presença de pesquisadores e professores da UFSCar e Unesp. A proposta é que este diálogo entre Brasil e África aconteça todos os anos. O destaque da programação é a mesa-redonda "Aspectos das Literaturas Africanas de Língua Portuguesa", que contará com três debatedores de Moçambique. O primeiro convidado é o professor Luis Abel Cezerilo, da Universidade Eduardo Mondlane, de Moçambique. Ele possui graduação em Sociologia pela Universidade de Évora, Portugal, e doutorado em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa pela USP. Atualmente, desenvolve seu pós-doutorado na Unesp de Araraquara.
Ao lado de Cezerilo estará a escritora Paulina Chiziane, a primeira mulher a escrever e publicar um romance em Moçambique. Ela cresceu nos subúrbios da cidade de Maputo e iniciou o estudo de Lingüística na Universidade Eduardo Mondlane, sem, porém, ter concluído o curso. Em 1984 deu início à sua atividade literária com a publicação de contos na imprensa moçambicana. O título do seu primeiro livro é "Balada de Amor ao Vento", editado em 1990.
O terceiro convidado da mesa-redonda é o escritor Luis Carlos Patraquim, considerado uma das principais vozes poéticas moçambicanas da atualidade. Ele foi colaborador do jornal A Voz de Moçambique nos anos 70, atuou como membro do núcleo fundador da Agência de Informação de Moçambique (AIM) e do Instituto Nacional de Cinema (INC), onde se manteve, de 1977 a 1986, como roteirista e redator principal do jornal cinematográfico Kuxa Kanema. Desde 1986, reside em Portugal e colabora na imprensa moçambicana e portuguesa, em roteiros para cinema e textos para teatro. A mesa contará também com a participação do professor Valter Roberto Silvério, chefe do Departamento de Sociologia da UFSCar e coordenador do NEAB.
O Colóquio está sendo organizado pelo Departamento de Letras (DL) da UFSCar, em parceria com o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB) da Instituição e com o Departamento de Literatura e o Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários da Unesp de Araraquara.
As inscrições para participação no Colóquio devem ser feitas pela Internet, em www.letras.ufscar.br/ciea, onde está disponível o formulário de inscrição e o programa completo do evento.
Feira do Livro de Porto Alegre
Tem início um dos maiores eventos do gênero na América Latina
Com o apoio do Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, começa a se desenvolver a programação da 54ª edição da Feira do Livro de Porto Alegre, considerada a maior já realizada em ambiente aberto no continente americano e uma das mais antigas do país.
A solenidade oficial de abertura acontecerá às 18h desta sexta-feira, dia 31 de outubro. Promovida pela Câmara Rio-Grandense do Livro, a feira ficará aberta ao público até 16 de novembro, na Praça da Alfândega.
O coordenador-geral de Livro e Leitura do Ministério da Cultura, Jéferson Assumção, e o secretário executivo do Plano Nacional do Livro e Leitura, José Castilho, estão na capital gaúcha para participar da cerimônia de abertura do evento. A feira se realiza na Praça da Alfândega, com atrações, também, no Santander Cultural, Memorial do Rio Grande do Sul, Centro Cultural Érico Veríssimo e Cais do Porto.
A Feira do Livro de Porto Alegre foi criada em 1955 e é um dos eventos brasileiros que incentivam a prática da leitura. É visitada por grandes escritores, nacionais e internacionais, intelectuais, representantes de governo, acadêmicos, crianças, jovens, políticos, estudantes e o público em geral. Dentre os escritores internacionais que já confirmaram presença estão o uruguaio Eduardo Galeano, o historiador francês Roger Chartier e outros.
Este ano, o evento vai ocupar uma área total de 25 mil m² (14 mil m² de área coberta). Serão 167 bancas expositoras, quase 800 sessões de autógrafos, 56 oficinas, além de várias outras atividades paralelas.
Mais informações: www.feiradolivro-poa.com.br
Com o apoio do Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, começa a se desenvolver a programação da 54ª edição da Feira do Livro de Porto Alegre, considerada a maior já realizada em ambiente aberto no continente americano e uma das mais antigas do país.
A solenidade oficial de abertura acontecerá às 18h desta sexta-feira, dia 31 de outubro. Promovida pela Câmara Rio-Grandense do Livro, a feira ficará aberta ao público até 16 de novembro, na Praça da Alfândega.
O coordenador-geral de Livro e Leitura do Ministério da Cultura, Jéferson Assumção, e o secretário executivo do Plano Nacional do Livro e Leitura, José Castilho, estão na capital gaúcha para participar da cerimônia de abertura do evento. A feira se realiza na Praça da Alfândega, com atrações, também, no Santander Cultural, Memorial do Rio Grande do Sul, Centro Cultural Érico Veríssimo e Cais do Porto.
A Feira do Livro de Porto Alegre foi criada em 1955 e é um dos eventos brasileiros que incentivam a prática da leitura. É visitada por grandes escritores, nacionais e internacionais, intelectuais, representantes de governo, acadêmicos, crianças, jovens, políticos, estudantes e o público em geral. Dentre os escritores internacionais que já confirmaram presença estão o uruguaio Eduardo Galeano, o historiador francês Roger Chartier e outros.
Este ano, o evento vai ocupar uma área total de 25 mil m² (14 mil m² de área coberta). Serão 167 bancas expositoras, quase 800 sessões de autógrafos, 56 oficinas, além de várias outras atividades paralelas.
Mais informações: www.feiradolivro-poa.com.br
Martinho Lutero
Ainda que Martinho Lutero tenha entrado para a História como o pivot da
Reforma Protestante, ele não foi o único que envidou os máximos esforços
para que ela acontecesse. Outros homens e mulheres, antes e depois de
Lutero, reconhecida ou anonimamente contribuíram para este movimento, que
transformou as estruturas da sociedade ocidental. Você sabia que ainda hoje
nós podemos coooperar para a contínua atualização da proposta da Reforma
Protestante? Então para isso eu convido você a refletir um pouco a respeito,
lendo o breve artigo que postei no meu blog. Visite, leia, comente e
recomende! O endereço é http://pastoroslei.blogspot.com . Muito obrigado, um
abraço, fique na paz!
Rev. Oslei do Nascimento
Igreja Presbiteriana de Curitiba
Reforma Protestante, ele não foi o único que envidou os máximos esforços
para que ela acontecesse. Outros homens e mulheres, antes e depois de
Lutero, reconhecida ou anonimamente contribuíram para este movimento, que
transformou as estruturas da sociedade ocidental. Você sabia que ainda hoje
nós podemos coooperar para a contínua atualização da proposta da Reforma
Protestante? Então para isso eu convido você a refletir um pouco a respeito,
lendo o breve artigo que postei no meu blog. Visite, leia, comente e
recomende! O endereço é http://pastoroslei.blogspot.com . Muito obrigado, um
abraço, fique na paz!
Rev. Oslei do Nascimento
Igreja Presbiteriana de Curitiba
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
MAMÃE, A PROFESSORA SUMIU!
MAMÃE, A PROFESSORA SUMIU!
(Antonio Brás Constante)
Quantas pessoas já não pensaram em como seria bom conciliar o prazer de continuar na cama quentinha com o dever de estudar. Pois essas pessoas provavelmente terão suas preces atendidas, visto que é cada vez mais forte o movimento em prol do estudo à distância. Uma nova forma de aprendizado que promete trazer vantagens (mas também desvantagens), algumas delas descritas neste texto.
Podemos imaginar que mudarão as desculpas para matar a aula: “não estava sem guarda-chuva”, “estava sem conexão”. O aluno não poderá mais dar uma maçã para professora, mas poderá enviar uma mensagem para seu avaliador, cheia de anjinhos, florzinhas e até fotos de maçã. Também não terá mais graça arremessar bolinhas de papel (atirar em quem?).
Os trotes escolares serão resumidos a algum tipo de vírus baixado no computador do calouro. Você não terá mais o endereço residencial de seus colegas, terá apenas o eletrônico, e eles serão reconhecidos pelo IP que usam. Todos os alunos terão carinhas de “smales” e não haverá mais problemas de distância na educação (poderá dizer para sua mãe que seu coleginha é japonês, e ele será mesmo, inclusive vivendo no Japão), porém, toda esta tecnologia tornará mais distantes as relações no mundo real (este lugar quase obsoleto, onde ainda vivemos).
Os ruídos de comunicação darão lugar aos erros de comunicação. Ao invés de não entender seu professor, você não entenderá o software educacional instalado em seu computador, achando que ele não gosta de você, e criando comunidades no orkut do tipo: “Eu odeio meu computador”. As discussões acaloradas de outrora, onde todos falavam e ninguém escutava, serão substituídas por discussões acaloradas em chats onde todos escrevem, mas ninguém lê.
As diferenças entre as classes sociais (ricos e pobres) não serão mais evidenciadas pelas roupas de grife (você poderá assistir às aulas pelado, que ninguém notará), e carros importados, mas poderão ser observadas pela potência de processamento e armazenamento das máquinas, e a velocidade da banda larga de cada um. Para que este tipo de ensino possa contemplar também públicos de renda mais baixa, haverá planos sociais de inclusão disponibilizados em lan houses.
Seu histórico escolar passará a ser chamado de log, registrando todos os seus erros em uma memória tão boa quanto à de qualquer esposa. A televisão que era, em muitos casos, utilizada como forma de entretenimento e aprendizado de inúmeras crianças quando não estavam estudando, terá no computador um reforço desta técnica, criando indivíduos literalmente através de caixas pseudo-educativas.
Enfim, a figura ultrapassada do professor fatalmente será substituída por uma programação de ensino e avaliação à distância, produzida por uma equipe técnica e pedagógica, que encapsulará tudo de forma fria e competente, parametrizando resultados e potencializando rendimentos, visando tornar seu público-alvo uma perfeita máquina biológica de aprendizado, mais eficiente e mais... Humana?
E-mail: abrasc@terra.com.br
Site: www.recantodasletras.com.br/autores/abrasc
NOTA DO AUTOR: Divulgue este texto para seus amigos. (Caso não tenha gostado do texto, divulgue-o então para seus inimigos).
NOVA NOTA DO AUTOR (agora com muito mais conteúdo na nota): Caso queira receber os textos do escritor Antonio Brás Constante via e-mail, basta enviar uma mensagem para: abrasc@terra.com.br pedindo para incluí-lo na lista do autor. Caso você já os receba e não queira mais recebe-los, basta enviar uma mensagem pedindo sua retirada da lista. E por último, caso você receba os textos e queira continuar recebendo, só posso lhe dizer: "Também amo você! Valeu pela preferência".
ULTIMA NOVA NOTA DO AUTOR: Agora disponho também de ORKUT, basta procurar por "Antonio Brás Constante".
(Antonio Brás Constante)
Quantas pessoas já não pensaram em como seria bom conciliar o prazer de continuar na cama quentinha com o dever de estudar. Pois essas pessoas provavelmente terão suas preces atendidas, visto que é cada vez mais forte o movimento em prol do estudo à distância. Uma nova forma de aprendizado que promete trazer vantagens (mas também desvantagens), algumas delas descritas neste texto.
Podemos imaginar que mudarão as desculpas para matar a aula: “não estava sem guarda-chuva”, “estava sem conexão”. O aluno não poderá mais dar uma maçã para professora, mas poderá enviar uma mensagem para seu avaliador, cheia de anjinhos, florzinhas e até fotos de maçã. Também não terá mais graça arremessar bolinhas de papel (atirar em quem?).
Os trotes escolares serão resumidos a algum tipo de vírus baixado no computador do calouro. Você não terá mais o endereço residencial de seus colegas, terá apenas o eletrônico, e eles serão reconhecidos pelo IP que usam. Todos os alunos terão carinhas de “smales” e não haverá mais problemas de distância na educação (poderá dizer para sua mãe que seu coleginha é japonês, e ele será mesmo, inclusive vivendo no Japão), porém, toda esta tecnologia tornará mais distantes as relações no mundo real (este lugar quase obsoleto, onde ainda vivemos).
Os ruídos de comunicação darão lugar aos erros de comunicação. Ao invés de não entender seu professor, você não entenderá o software educacional instalado em seu computador, achando que ele não gosta de você, e criando comunidades no orkut do tipo: “Eu odeio meu computador”. As discussões acaloradas de outrora, onde todos falavam e ninguém escutava, serão substituídas por discussões acaloradas em chats onde todos escrevem, mas ninguém lê.
As diferenças entre as classes sociais (ricos e pobres) não serão mais evidenciadas pelas roupas de grife (você poderá assistir às aulas pelado, que ninguém notará), e carros importados, mas poderão ser observadas pela potência de processamento e armazenamento das máquinas, e a velocidade da banda larga de cada um. Para que este tipo de ensino possa contemplar também públicos de renda mais baixa, haverá planos sociais de inclusão disponibilizados em lan houses.
Seu histórico escolar passará a ser chamado de log, registrando todos os seus erros em uma memória tão boa quanto à de qualquer esposa. A televisão que era, em muitos casos, utilizada como forma de entretenimento e aprendizado de inúmeras crianças quando não estavam estudando, terá no computador um reforço desta técnica, criando indivíduos literalmente através de caixas pseudo-educativas.
Enfim, a figura ultrapassada do professor fatalmente será substituída por uma programação de ensino e avaliação à distância, produzida por uma equipe técnica e pedagógica, que encapsulará tudo de forma fria e competente, parametrizando resultados e potencializando rendimentos, visando tornar seu público-alvo uma perfeita máquina biológica de aprendizado, mais eficiente e mais... Humana?
E-mail: abrasc@terra.com.br
Site: www.recantodasletras.com.br/autores/abrasc
NOTA DO AUTOR: Divulgue este texto para seus amigos. (Caso não tenha gostado do texto, divulgue-o então para seus inimigos).
NOVA NOTA DO AUTOR (agora com muito mais conteúdo na nota): Caso queira receber os textos do escritor Antonio Brás Constante via e-mail, basta enviar uma mensagem para: abrasc@terra.com.br pedindo para incluí-lo na lista do autor. Caso você já os receba e não queira mais recebe-los, basta enviar uma mensagem pedindo sua retirada da lista. E por último, caso você receba os textos e queira continuar recebendo, só posso lhe dizer: "Também amo você! Valeu pela preferência".
ULTIMA NOVA NOTA DO AUTOR: Agora disponho também de ORKUT, basta procurar por "Antonio Brás Constante".
Assinar:
Postagens (Atom)
Embrapa participa de debates, mostra tecnologias e lança publicações na Agrotins
Foto: Ivanna Suzarte A vitrine de tecnologias está passando pelos últimos ajustes para o evento Mais uma vez, a Embrapa marca presença n...
-
Agência Brasil030712 ANT1914 Brasília - O presidente do Senado, José Sarney, recebe o presidente do Santos Futebol Clube, Luis Álvaro de Oli...
-
Autor: Dhiogo Caetano Não sei se vivemos ou tentamos sobreviver. Viver é enfrentar as múltiplas diversidades da vida; viver é ser livre me...