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segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Exemplos e opiniões




* por Tom Coelho

O mundo está repleto de opiniões, umas mais assertivas do que as outras.
Cada qual se preocupa em denotar a força de sua própria argumentação. Mas o
que precisamos verdadeiramente é de exemplos.






"Depois de escrever, leio... Por que escrevi isto? Onde fui buscar isto?


De onde me veio isto? Isto é melhor do que eu..."


(Fernando Pessoa)






À medida que um escritor vai criando intimidade com seus leitores, algumas
questões surgem com naturalidade. São perguntas que ora beiram o abismo do
interesse filosófico e conceitual, ora margeiam o precipício da mera
curiosidade pessoal. Algumas chegam de mansinho, escondidas num longo e-mail
contendo elogios e considerações diversas. Outras são aladas, chegam rápido
no rastro de Mercúrio e são diretas e objetivas.



Não posso furtar-me a responder a qualquer uma delas por um motivo muito
simples: sou eu o primeiro inquisidor que, atrevidamente, invade lares e
escritórios, ao alvorecer ou ao anoitecer, sem pedir licença, apresentando
ideias, convidando ao debate e instigando à reflexão.



Neste contexto, a pergunta mais recorrente tem sido: "Você é ou consegue ser
assim como escreve?".





Perguntas e respostas



Escrevo aquilo que penso sobre aquilo em que acredito. Fruto de muita
leitura, vivência e reflexão, escolho temas que me afligem a alma, pedindo
espaço para se manifestar, gritando pela liberdade e clamando por
alternativas e soluções. Manifesto meu ponto de vista e fico à espera de
comentários capazes de auxiliar-me a encontrar respostas. Tenho aprendido a
fazer as perguntas, talvez mais acertadamente. Porém quanto mais estudo,
quanto mais investigo, mais me sinto o próprio ponto de interrogação. E
desejo encontrar as respostas. Coletivamente.



Mas o que escrevo não corresponde com exatidão a quem sou. É uma cópia
melhorada, a projeção de quem desejo ser. Ao escrever, assino contratos com
o mundo e comigo mesmo. Isso gera comprometimento. E comprometer-se com o
que não se pode realizar gera angústia que, por sua vez, conduz à tristeza.
Como não estou aqui para ser triste, não vou estreitar propositadamente meus
caminhos para a felicidade. Desejo, pois, assumir o que se possa cumprir.
Melhor um resultado pequeno do que uma grande promessa.





Utopia



Fernando Pessoa disse que "o poeta é um fingidor". Rubem Alves diz que
"escreve o que ele não é". E ambos asseguram que é melhor não conhecer
pessoalmente o autor, sendo mais seguro ficar com o texto.



Penso diferente. Comecei a escrever como articulista, ou aquele que escreve
artículos. Transitei para a missão de cronista, versando sobre o cotidiano.
Quem se dá a este trabalho tem sempre alguma poesia dentro de si. Aí haverá
quem diga que poeta vive no mundo da lua, viajando pelo planeta dos sonhos,
na imaginária galáxia da utopia.



Pois digo que toda utopia é uma realidade potencial. E se escrevo sobre o
que sonho é porque sonho com o que escrevo. E que pode se concretizar. E que
fica mais concreto quando se põe no papel e se compartilha com o mundo, que
passa a sonhar junto.



O que escrevo é melhor do que sou hoje. É o que vou buscar. E quando melhor
pessoa eu for amanhã, novos escritos demandarão uma nova pessoa, ainda
melhor, num processo que não tem fim. Não sei onde foi o ponto de partida, e
não me interessa qual a estação de chegada. Bom mesmo é apreciar a paisagem
durante a caminhada. Observar os campos verdejantes e o orvalho na relva.
Sentir o brilho cálido do sol e a brisa refrescante acariciando a face.
Transpor as pedras, as valas e as pontes quebradas ou inacabadas que surgem
pelo trajeto.



A vontade é muito grande de tentar varrer o assunto, esgotar o inesgotável.
Sempre faltará um verso, uma frase ou uma assertiva qualquer, negligenciados
que são pela memória. Sou vários num só e aquele eu mais prático interpela o
meu eu mais sonhador quando uma lauda acaba.





Take home value



Há uma frase muito utilizada entre os economistas: take home value, ou
literalmente, "o valor que levamos para casa". Esta é uma tese que merece
atenção.



Quando você sai de sua casa para uma reunião, uma palestra, um encontro ou
qualquer outra atividade, o que você tira de proveito deste evento que lhe
possibilita retornar ao lar melhor do que quando saiu? Quais lições você
extraiu dos momentos que dedicou ao referido acontecimento? E o que você
legou às pessoas que estavam em sua companhia para também fazê-las melhores?



Madre Teresa alertava que não podemos permitir que alguém se afaste de nossa
presença sem sentir-se melhor e mais feliz. E não podemos admitir o mesmo em
relação a nós mesmos. Já Rimpoche dizia que "o melhor que podemos fazer por
uma pessoa é dar a ela a oportunidade de nos oferecer o que tem de melhor".



É o que procuro fazer a cada palavra. Elas não são escritas, mas desenhadas.
Não são digitadas, mas dedilhadas. Porque contêm carinho. Porque desejo
compartilhar até o que ainda não sou. Porque é como o pão que alimenta: o
melhor é sua partilha, sua divisão.



O mundo está repleto de opiniões, umas mais assertivas do que as outras.
Cada qual se preocupa em denotar a força de sua própria argumentação. O que
precisamos verdadeiramente são de exemplos. Fazer, praticar, aplicar. Não se
deve mudar de opinião se não se pode mudar de conduta. Mas se mudar for
possível, faça-o por você, pelos que o cercam e pela utopia de um mundo
melhor para se viver.





* Tom Coelho é educador, conferencista e escritor com artigos publicados em
17 países. É autor de "Somos Maus Amantes - Reflexões sobre carreira,
liderança e comportamento" (Flor de Liz, 2011), "Sete Vidas - Lições para
construir seu equilíbrio pessoal e profissional" (Saraiva, 2008) e coautor
de outras cinco obras. Contatos através do e-mail
tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite:
www.tomcoelho.com.br e
www.setevidas.com.br.

Exemplos e opiniões




* por Tom Coelho

O mundo está repleto de opiniões, umas mais assertivas do que as outras.
Cada qual se preocupa em denotar a força de sua própria argumentação. Mas o
que precisamos verdadeiramente é de exemplos.






"Depois de escrever, leio... Por que escrevi isto? Onde fui buscar isto?


De onde me veio isto? Isto é melhor do que eu..."


(Fernando Pessoa)






À medida que um escritor vai criando intimidade com seus leitores, algumas
questões surgem com naturalidade. São perguntas que ora beiram o abismo do
interesse filosófico e conceitual, ora margeiam o precipício da mera
curiosidade pessoal. Algumas chegam de mansinho, escondidas num longo e-mail
contendo elogios e considerações diversas. Outras são aladas, chegam rápido
no rastro de Mercúrio e são diretas e objetivas.



Não posso furtar-me a responder a qualquer uma delas por um motivo muito
simples: sou eu o primeiro inquisidor que, atrevidamente, invade lares e
escritórios, ao alvorecer ou ao anoitecer, sem pedir licença, apresentando
ideias, convidando ao debate e instigando à reflexão.



Neste contexto, a pergunta mais recorrente tem sido: "Você é ou consegue ser
assim como escreve?".





Perguntas e respostas



Escrevo aquilo que penso sobre aquilo em que acredito. Fruto de muita
leitura, vivência e reflexão, escolho temas que me afligem a alma, pedindo
espaço para se manifestar, gritando pela liberdade e clamando por
alternativas e soluções. Manifesto meu ponto de vista e fico à espera de
comentários capazes de auxiliar-me a encontrar respostas. Tenho aprendido a
fazer as perguntas, talvez mais acertadamente. Porém quanto mais estudo,
quanto mais investigo, mais me sinto o próprio ponto de interrogação. E
desejo encontrar as respostas. Coletivamente.



Mas o que escrevo não corresponde com exatidão a quem sou. É uma cópia
melhorada, a projeção de quem desejo ser. Ao escrever, assino contratos com
o mundo e comigo mesmo. Isso gera comprometimento. E comprometer-se com o
que não se pode realizar gera angústia que, por sua vez, conduz à tristeza.
Como não estou aqui para ser triste, não vou estreitar propositadamente meus
caminhos para a felicidade. Desejo, pois, assumir o que se possa cumprir.
Melhor um resultado pequeno do que uma grande promessa.





Utopia



Fernando Pessoa disse que "o poeta é um fingidor". Rubem Alves diz que
"escreve o que ele não é". E ambos asseguram que é melhor não conhecer
pessoalmente o autor, sendo mais seguro ficar com o texto.



Penso diferente. Comecei a escrever como articulista, ou aquele que escreve
artículos. Transitei para a missão de cronista, versando sobre o cotidiano.
Quem se dá a este trabalho tem sempre alguma poesia dentro de si. Aí haverá
quem diga que poeta vive no mundo da lua, viajando pelo planeta dos sonhos,
na imaginária galáxia da utopia.



Pois digo que toda utopia é uma realidade potencial. E se escrevo sobre o
que sonho é porque sonho com o que escrevo. E que pode se concretizar. E que
fica mais concreto quando se põe no papel e se compartilha com o mundo, que
passa a sonhar junto.



O que escrevo é melhor do que sou hoje. É o que vou buscar. E quando melhor
pessoa eu for amanhã, novos escritos demandarão uma nova pessoa, ainda
melhor, num processo que não tem fim. Não sei onde foi o ponto de partida, e
não me interessa qual a estação de chegada. Bom mesmo é apreciar a paisagem
durante a caminhada. Observar os campos verdejantes e o orvalho na relva.
Sentir o brilho cálido do sol e a brisa refrescante acariciando a face.
Transpor as pedras, as valas e as pontes quebradas ou inacabadas que surgem
pelo trajeto.



A vontade é muito grande de tentar varrer o assunto, esgotar o inesgotável.
Sempre faltará um verso, uma frase ou uma assertiva qualquer, negligenciados
que são pela memória. Sou vários num só e aquele eu mais prático interpela o
meu eu mais sonhador quando uma lauda acaba.





Take home value



Há uma frase muito utilizada entre os economistas: take home value, ou
literalmente, "o valor que levamos para casa". Esta é uma tese que merece
atenção.



Quando você sai de sua casa para uma reunião, uma palestra, um encontro ou
qualquer outra atividade, o que você tira de proveito deste evento que lhe
possibilita retornar ao lar melhor do que quando saiu? Quais lições você
extraiu dos momentos que dedicou ao referido acontecimento? E o que você
legou às pessoas que estavam em sua companhia para também fazê-las melhores?



Madre Teresa alertava que não podemos permitir que alguém se afaste de nossa
presença sem sentir-se melhor e mais feliz. E não podemos admitir o mesmo em
relação a nós mesmos. Já Rimpoche dizia que "o melhor que podemos fazer por
uma pessoa é dar a ela a oportunidade de nos oferecer o que tem de melhor".



É o que procuro fazer a cada palavra. Elas não são escritas, mas desenhadas.
Não são digitadas, mas dedilhadas. Porque contêm carinho. Porque desejo
compartilhar até o que ainda não sou. Porque é como o pão que alimenta: o
melhor é sua partilha, sua divisão.



O mundo está repleto de opiniões, umas mais assertivas do que as outras.
Cada qual se preocupa em denotar a força de sua própria argumentação. O que
precisamos verdadeiramente são de exemplos. Fazer, praticar, aplicar. Não se
deve mudar de opinião se não se pode mudar de conduta. Mas se mudar for
possível, faça-o por você, pelos que o cercam e pela utopia de um mundo
melhor para se viver.





* Tom Coelho é educador, conferencista e escritor com artigos publicados em
17 países. É autor de "Somos Maus Amantes - Reflexões sobre carreira,
liderança e comportamento" (Flor de Liz, 2011), "Sete Vidas - Lições para
construir seu equilíbrio pessoal e profissional" (Saraiva, 2008) e coautor
de outras cinco obras. Contatos através do e-mail
tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite:
www.tomcoelho.com.br e
www.setevidas.com.br.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

A Eternidade do Ser

A CONSTRUÇÃO DO SOCIALISMO


- Você é de direita ou esquerda?

Alguns militantes políticos fazem esta pergunta tentando classificar o ser humano. Pasmem, para estes o valor de um ser humano vai depender da resposta a esta pergunta.

Como podemos medir o valor de um ser humano? Só podemos deduzir, antes de tudo, que o primeiro valor de um ser humano é ser humano e ponto. Qualquer medida de julgamento, de avaliação é relativa, portanto e obviamente, não é absoluta. O único valor absoluto do ser humano é ser ser humano.

Um ser humano é inteiro, não é dividido, fracionado em esquerda ou direita. O ser humano sequer pode ser medido por sua função ou importância social.

Entretanto, podemos situar algumas ações humanas como boas ou más, construtivas ou destrutivas, negativas ou positivas. São as circunstâncias, portanto, que devemos avaliar. Em nossa experiência política nos deparamos com atitudes boas e más de militantes tanto de direita quanto de esquerda.

Como poderemos construir um verdadeiro socialismo se o que importa são as atitudes, o pragmatismo das ações dos agentes políticos? Não é à toa assistirmos incoerência entre discurso e prática. Por que isto ocorre? Porque as ações dependem das pessoas e as pessoas têm ações relativas ao seu altruísmo ou, ao contrário, ao seu egocentrismo. Não havendo mudanças no agente político, nada mudará. O que vale em política não são teorias, são práticas.

Uma das piores desgraças que aconteceu à humanidade, tanto quanto a inquisição e o racismo em todas as suas formas, foi o anticomunismo. Hoje, liderado por uma nação inteira (americana) e assumido como sinônimo de patriotismo. Não é à toa, afinal, os Estados Unidos são a base do mais forte capitalismo.

Esta mentalidade retrógrada estimulou e gerou ditaduras cruéis, contraditoriamente argumentando defender os interesses democráticos. As piores injustiças foram cometidas. Torturas foram cometidas e todos os direitos humanos violados justificados como defesa da democracia. É lamentável que ainda tal idéia perdure e capte simpatizantes.

Apesar dos equívocos estruturais dos sistemas que pretenderam instalar uma sociedade igualitária, não obstante, eles tinham como objetivo a eliminação das injustiças e principalmente a exploração desumana. Têm-se que admitir que nenhuma forma de ditadura gerará nada de bom, por outro lado, não podemos esquecer que a miséria gerada pelo capitalismo jamais produzirá uma democracia verdadeira.

As ditaduras de direita, que no fundo apenas visavam a perpetuação de privilégios, causaram as piores agressões aos direitos humanos. Os reacionários ainda estão aí argumentando defender a democracia e a acusar os comunistas de a violarem, quando através da pobreza que geram os capitalistas maculam qualquer verdadeiro espírito democrático. Afinal, como pode existir democracia e igualdade de direitos onde existem explorados e exploradores, ricos e pobres?

Seja como for, sabemos que o espírito libertário independe de qualquer sistema político, embora a opressão dependa de um. Mas, serão os espíritos livres que construirão a democracia e o socialismo e isto não dependerá de sistemas, mas de evoluções individuais, que por sua vez, modificará o pensamento coletivo.

Será a sabedoria que redigirá a conduta social de governantes e governados, porque nesta etapa da consciência humana os governados maduros serão os próprios governantes. Ou seja, não haverá separação entre um poder e outro, pois, a sua base será a sabedoria. A sabedoria será o verdadeiro poder e, ela será resultante do amadurecimento humano.

Desta forma, podemos concluir que a grande batalha humana será contra o próprio ego. É ele que gera todas as injustiças e conflitos.

Um homem que depende da opinião de outro está fadado, humanamente, ao fracasso. Triste de um homem que depende da opinião de um outro. E esta dependência está ligada indissoluvelmente ao ego.

O verdadeiro socialismo não será construído por políticos. O verdadeiro socialismo não será construído através de lutas e por nenhuma forma de conflito. O capitalismo tem seus dias contados. Ele está fadado a desaparecer porque o ser humano sempre procurará a justiça e o capitalismo é essencialmente divisionista, conflitante e injusto, fruto do egoísmo.

O fato é que a justiça social passa pela bondade humana. Assim, só através da reforma humana é que a justiça se estabelecerá. Ela não virá desta ou daquela corrente ideológica, embora, convenhamos, existem algumas que caminham justamente no sentido inverso. Não se trata dogmas e crenças ideológicas. A justiça brota no homem a partir do abandono do seu ego. Onde houver um não haverá o outro.

Para isto, é necessário que o ser humano faça mudanças significativas em suas relações e, para tanto, ele precisa fazer mudanças profundas em si mesmo.

Afinal, como se construirá um socialismo sem verdadeiramente contarmos com o outro? Como um socialismo pode se preservar com o egoísmo? Seja como for, o socialismo só acontecerá a partir de transformações da natureza humana, caso contrário, toda ideologia fracassará.

De fato, já estamos construindo o socialismo através do aprofundamento de nossas reflexões pessoais e, na medida em que crescemos como seres humanos, mais nos aproximamos da justiça social. Sabemos que isto não basta, porém, isto será a base essencial para que ela ocorra.

Enfim, um dia temos que nos enfrentar e encarar todos os nossos defeitos para nos aprimorarmos como seres humanos. Será assim que teremos uma sociedade realmente justa.

Hideraldo Montenegro

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